Telexpo mostra a efervescência das telecomumicações
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de março de 1997
Ranulfo Pedreiro Enviado a São Paulo 
DivulgaçãoFuturistaCerca de 50 mil pessoas visitaram os estandes da Telexpo, que abusaram da criatividade para atrair o públicoA sétima edição da Telexpo - Feira Internacional de Telecomunicações e Redes, realizada entre os dias 18 e 21 no Expo Center Norte, em São Paulo - refletiu o boom de novidades que estão chacoalhando o setor de telecomunicações com a abertura da economia. A Telexpo 97 foi a maior e a mais badalada edição da feira, reunindo 250 expositores - destes, 74 eram estrangeiros. Cerca de 50 mil pessoas visitaram a feira.
Os estandes exibiram produtos e serviços que vão desde celulares digitais, TVs por assinatura, bips e pagers, teleconferências, Internet, redes de comunicação, caixas postais eletrônicas até serviço de treinamento oferecido por uma empresa holandesa para preparar os profissionais da área para os novos rumos da economia brasileira.
A Feira, considerada a maior da América Latina e a mais importante do Brasil, ocupou uma área de 17 mil metros quadrados e registrou um aumento de 30% em relação ao ano passado. Entre as novidades, destacou-se a presença de países como a França - que contou com um pavilhão exclusivo - e os Estados Unidos, representados pela Telecommunications Industry Association (ITA).
DivulgaçãoO ministro Sérgio Motta: meta de 15 milhões de celulares para o ano 2000 e aumento da média de telefones por habitante
Alguns estandes tinham música ao vivo, em outros os atendentes imitavam andróides. A Telebrás impressionou pelo tamanho de seu estande, com 700 metros quadrados, um design futurista e iluminação especial, realçada por um espelho dágua.
Toda esta animação foi alimentada também por divulgações bombásticas - que envolvem valores astronômicos - reservadas para o evento. Já na abertura da Feira o ministro Sérgio Motta revelou que o governo pretende destinar mais investimentos para o setor: Investimos R$ 20 bilhões até agora, e vamos investir mais R$ 40 bilhões até 1999. Houve aumento na taxa de número de telefones por habitantes, passando de 9,2% para 10,3%, e a meta de telefones celulares para o ano 2000 é de 15 milhões.
O ministro também cobrou dos deputados Alberto Goldman e Renato Johnson, da Comissão de Telecomunicações da Câmara dos Deputados a aprovação rápida da Lei Geral de Telecomunicações. Sérgio Motta revelou ainda que pretende transformar as 27 empresas regionais de telecomunicações em quatro holdings.
Esta é a Telexpo mais efervescente, ressaltou em entrevista coletiva Hélio de Azevedo, presidente da Feira. Ele declarou que essa agitação é comum após a experiência mal-sucedida da reserva de mercado para o setor de telecomunicações. A feira facilita a decisão do consumidor diante de tantas novidades. O cliente vê o produto, troca informações, pesquisa o preço e só depois decide pela compra. No ano passado tivemos entre 38% a 40% de consumidores finais no evento.
Para o expositor a Telexpo também é um bom negócio. Uma semana de feira equivale a três meses de visita de um departamento de vendas de uma empresa, assegurou Azevedo.
Alcatel 4.400, um dos inúmeros lançamentos da Telexpo: sistema operacional que permite interligação em redes de alto nível
Entre os grandes negócios anunciados na Feira está o contrato firmado entre a Construtel e a Entelphone do Chile para a construção de uma rede de fibras óticas que possibilitará a instalação de 250 mil linhas telefônicas em Santiago. O contrato foi fechado por US$ 200 milhões. Este é o maior negócio já fechado por uma empresa brasileira de telecomunicações no exterior, anunciou em entrevista coletiva Márcio de Araújo Lacerda, presidente do grupo Partcom, que engloba a Construtel.
Paralelamente à Feira foi realizado o 7º Congresso Internacional de Telecomunicações e Redes, que discutiu as novas tecnologias e a política do setor. O Congresso abordou temas como multimídia, infovias, Internet, network e comunicações sem fio.
O jornalista viajou a convite dos organizadores do evento


