Telescópio busca passado do Universo
France PresseImagem da nebulosa NGC 6302, em forma de borboleta, captado pelo telescópio VTL (Very Large Telescope) no Chile, no último dia 25Telescópio busca passado do Universo
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O observatório astronômico Paranal, construído por países europeus sobre uma montanha do norte do Chile, a um custo de 500 milhões de dólares, tirou suas primeiras fotografias de corpos espaciais na noite de 25 de maio, um ano antes de sua inauguração.
Os ensaios preliminares apresentaram excelentes resultados na avaliação de Rodrigo de Castro, porta-voz da European Southern Observatory, Eso, proprietária e operadora da instalação.
Paranal, ao sul da cidade de Antofagasta e a 1.000 km de Santiago, em meio ao deserto do norte chileno, será o mais potente telescópio do planeta, dotado de 4 espelhos de 8,2 metros cada um. A combinação dos cristais equivale a uma lente de 16 metros de diâmetro. A adição de outros três espelhos de 1,8 m, móveis sobre trilhos em torno do núcleo, criarão virtualmente um telescópio de 120 metros, quando todo o complexo esteja em funcionamento pleno no ano 2003.
Com um olhar através do Paranal pode-se distinguir um homem a 400.000 km de distância, enquanto que o Hubble, em órbita em torno da Terra e que revela mistérios de Marte, só permite uma visão de 4.000 km.
A primeira sessão de fotografias buscou objetivos de curta distância nas profundidades do Universo, mostrando duas qualidades do observatório: a captação de detalhes em corpos próximos e o poder de penetração em distâncias até agora inalcançáveis.
A Eso (integrada por Alemanha, Bélgica, Dinamarca, França, Holanda, Itália, Suécia e Suíça, mais o Chile e Portugal como sócios externos), espera que o Paranal adentre no passado a uma distância próxima do nascimento do Universo há 15 bilhões de anos. A comunidade científica poderá estudá-lo tal como era quando tinha um quarto da idade atual.
Os astrônomos também poderão observar o início da síntese dos elementos químicos, ou buscar sistemas planetários em torno de estrelas mais próximas de nossa galáxia. Enfocando os buracos negros abrirá a possibilidade de observar, num breve lapso de luminosidade, a matéria que cai dentro deles.
Outra busca possível apontará para o interior de estrelas gigantes e as anãs e para os movimentos de gás em torno do núcleo de uma galáxia.
A construção do Paranal, desde 1991, confirmou o norte do Chile como um dos locais com o céu mais limpo para a observação científica do espaço.
A mesma Eso opera no país o observatório La Silla, enquanto a organização Carnegie possui o Las Campanas e o Observatório Interamericano, o de Cerro Tololo, todos no interior da cidade de La Serena, 500 km ao norte de Santiago.





