O consumidor brasileiro tem se mostrado disposto a consumir telefones celulares com mais funcionalidades e com acesso à internet. O termômetro dessa tendência são os fabricantes, que lançam aparelhos com cada vez mais funções e
possibilidades e em menores intervalos de tempo.
Em lançamento para jornalistas, parceiros e desenvolvedores na última terça-feira, em Porto Alegre (RS), a Nokia Brasil apresentou suas estratégias. Segundo o gerente de produtos da fabricante no País, Vinícius Costa, o crescimento da classe média no Brasil tem feito com que o público consumidor deixe de comprar apenas o básico e se volte mais à tecnologia. Hoje, de cada 10 computadores, quatro já são comprados por esta população. Para os telefones celulares, a proporção é a mesma. Em relação ao número de cartões de crédito, sete de dez estão nas mãos da classe C, que se dispõe a pagar prestações para poder adquirir seu telefone celular.
Ainda segundo a Nokia, o fator preço é cada vez menos relevante no momento da compra, ainda que 60% considerem o ítem importante ao adquirir o aparelho. ''Cada vez mais eles olham para funcionalidade e cada vez mais para os smartphones'', comenta Costa. Entre as funcionalidades, o acesso à internet é considerado fundamental. A companhia aponta que 41% dos usuários dos telefones móveis acessam a internet. Destes, 47% acessam pelas redes 3G e 44% utilizam para acessar redes sociais.
O gerente de planejamento de marketing da Sercomtel, Wanderley de Rezende Neiva, complementa que o brasileiro gosta de tecnologia e sempre procura trocar de aparelho por outro mais atual. Por isso, ele cita que a tendência é os telefones inteligentes ampliarem sua participação no mercado. Dentre eles, Neiva cita que o sistema operacional do Google - o Android - deve ser dominante por já ser compatível com aparelhos de vários fabricantes. ''Já é uma tecnologia que os clientes procuram muito nas lojas'', aponta o gerente.
Neiva destaca que outras tendências são os aparelhos intermediários, que não contam com sistema operacional inteligente mas têm teclados ou telas sensíveis ao toque. ''Eles dão acesso à internet e o usuário pode acessar redes sociais, por exemplo'', afirma.
O gerente da Sercomtel complementa que os telefones ''dual chip'' ou ''tri chip'' também devem continuar ganhando consumidores, pois possibilitam aproveitar os vários benefícios de cada operadora. ''Nas ligações intrarrede, o custo da chamada é mais baixo e as operadoras podem praticar preços melhores'', aponta Neiva. ''Na Sercomtel, temos um extenso portfólio com 23 modelos dual chip.''
Eduardo Tude, presidente da Teleco, empresa de consultoria em telecomunicações, acrescenta que o que leva os consumidores a terem mais de um chip é justamente a possibilidade de aproveitar as promoções. Já as operadoras são obrigadas a ''dividir'' o consumidor. ''Esta é uma realidade do mercado'', diz Tude.
O auxiliar Fernando Damásio é cliente de duas operadoras e utiliza seus dois chips em um celular ''dual sim''. Duplicar o plano de telefonia móvel permitiu à ele aproveitar dois tipos de promoção: em uma das operadoras, tarifa baixa para ligações intrarrede, e na outra, créditos grátis a cada recarga.

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