Segundo os números do PNAD 2009, também cresceu o número de residências que só contam com telefone celular. Em um universo de 58,5 milhões de domicílios estimados no ano passado, a fatia dos que tinham somente telefonia móvel subiu de 37,6% para 41,2% de 2008 para 2009, somando 24,1 milhões de domicílios. Nos cálculos do IBGE, o acréscimo de residências no período que possuíam somente telefone celular foi de 2,5 milhões.
No Condomínio Residencial Cidade Universitária, ao lado da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o síndico afirma que há muitos casos de apartamentos que se enquadram nessa condição. ''Normalmente, os pais dão o celular porque querem localizar onde o filho está. No fim de semana, se o estudante vai para a balada, o pai liga direto no celular. É mais prático'', comenta Augustinho Jacomini.
Outro fator importante a se considerar, na sua opinião, é que as empresas de telefonia móvel oferecem pacotes de vantagens para seus clientes, o que torna o uso do celular mais viável.
Isso é o que Jacqueline Garcia Bonilha, e seus pais consideraram na hora de escolher a forma de comunicação quando a estudante de Odontologia passou no vestibular e se mudou de Tupã (SP), para Londrina no início do ano. Ela e o pai adquiriram chips da mesma operadora, que oferece plano pré-pago com a cobrança só do primeiro minuto de conversa, mesmo em interurbanos. ''O resto do tempo falamos de graça. Coloco só R$ 6 de créditos para passar a semana. Por R$ 0,25 consigo falar com minha mãe por 1h40min. Imagina falar tudo isso por telefone (fixo)?''
Além do aparelho que usa para falar com o pai, a estudante tem outro de uma operadora diferente e código de área da cidade de origem para poder mandar mensagens aos amigos que ficaram por lá. ''Uso o celular como se fosse telefone fixo.''
As amigas Maria Carolina Rizola, de 19 anos, Vanessa Amy Lamber, 19, e Paula Sampaio de Almeida, 18, todas estudantes do primeiro ano de Arquitetura e Urbanismo, vivem a mesma situação: todas têm celular, que usam em substituição ao telefone fixo. ''Optei por ter celular e não fixo porque é uma conta a menos para pagar. Também quase não fico em casa'', observa Maria Carolina.
O telefone celular é usado para que as estudantes conversam entre si. O meio utilizado para se comunicar com os pais é a internet, por meio da telefonia VoIP (voz sobre IP), ou como dizem, pelo Skype. ''Minha mãe fica sempre on-line'', afirma Maria Carolina. No grupo dos jovens entre 18 e 19 anos, o acesso à internet no Brasil também cresceu, segundo os dados do PNAD. A proporção de internautas nessa faixa etária subiu de 59,7%, em 2008, para 68,7% em 2009. Na Região Sul, esse número aumentou 17% no mesmo período. (M.F.C.)

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