Tecnólogo de Uraí desenvolve nova ferramenta contra o bug
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de outubro de 1998
Telma Elorza 
O bug do milênio está próximo. Em pouco mais de um ano, se não forem corrigidos a tempo, todos os sistemas de computação em que a data é registrada apenas por dois dígitos entrarão em colapso. Isto significa que cerca de 80% das instituições financeiras e públicas mundiais têm que buscar - o mais rápido possível - soluções para seus sistemas. Soluções, aliás, já existem mas, para muitas empresas, os custos ainda são proibitivos. O problema é, hoje, uma grande dor de cabeça para quem não dispõe de capital e um interessante quebra-cabeça para programadores e analistas de sistema de todo mundo.
Pensando nisto, um tecnólogo em Processamento de Dados, Gustavo Konrado Júnior, 27 anos, de Uraí, Norte do Paraná, desenvolveu o Kdat, um algorítimo que pode solucionar o problema. O algorítimo foi criado depois de um ano de pesquisas para sua tese de especialização em Análises de Sistemas. A tese, Planejamento Estratégico para Solucionar o Bug do Ano 2000, deve ser defendida esta semana no Centro de Ensino Superior de Maringá (Cesumar). Fiz uma pesquisa dos métodos já existentes e construi mais um procedimento que pode vir a solucionar o problema, acredita.
Segundo Konrado, o algorítimo é uma ferramenta que pode ser utilizada para criar uma estrutura lógica de programas. O programador lê o algorítimo e o adapta dentro de uma linguagem de programação. Com ele, não existe necessidade de fazer alterações nas bases de dados, afirma. Para ele, esta é uma das grandes vantagens de seu procedimento. Hoje existe uma técnica que exige colocar dois dígitos na base de dados, que teria que ser alterada e usar mais espaço físico. Já com a rotina que criei, a base vai permanecer com os dois dígitos apenas, afirma.
Embora tenha sido criado com a linguagem Cobol e nela testada, Konrado afirma que o algorítimo pode ser utilizado não apenas nesta linguagem mas em todos os sistemas mainframes. Todas as empresas que utilizem mainframes precisarão se proteger contra o bug. São bancos, hospitais e prefeituras, além de outros tipos de empresas privadas, que trabalham com muita informação, afirma.
Para o tecnólogo, a maior vantagem de seu produto reside no pouco tempo que resta para que as empresas adotem uma solução contra o bug. O recomendado é que as empresas reescrevam todo o seu sistema mas, e se não der tempo? Afinal, há sistemas com mais de 15 anos de informações armazenadas. Neste caso, o algorítimo pode ajudar a transpor o período crítico e, passado esta fase, as empresas podem partir para reescrever todo seu sistema, sem a pressão do relógio e com muito menos gastos, afirma.
O algorítimo foi testado no sistema operacional da Prefeitura de Londrina e, segundo Marcos Vinícius Vitashi, gerente de Desenvolvimento do Centro de Processamento de Dados da Prefeitura, é uma alternativa viável para solucionar o problema. A ferramenta dá um pouco de trabalho, como a maioria das outras que existem, porque demanda alteração de programas. Mas poderia ser aplicada tranquilamente, diz. Segundo Vitashi, se a Prefeitura não tivesse decidido reescrever todo seu sistema, poderia até ter optado por este método.
Os interessados em conhecer o Kdat podem entrar em contato com Gustavo Konrado Júnior pelo e-mail: [email protected]


