Tecnologia põe vida digital dos filhos sob supervisão dos pais
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quarta-feira, 11 de março de 2015
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
De 2013 para 2014, cresceu em mais de 100% o número de tentativas de acesso a sites bloqueados pelo Controle Parental ferramenta oferecida pela Kaspersky Lab para impedir que crianças tenham contato com conteúdos potencialmente perigosos na internet. Segundo a empresa, o dispositivo foi acionado em média 127 vezes por usuário no ano passado.
O software da Kaspersky permite que o acesso a sites seja bloqueado nas categorias: conteúdo adulto; jogos de azar; armas; violência; álcool, tabaco e drogas; acesso anônimo (serviços que proporcionam anonimato ao usuário); e redes sociais. No levantamento referente a 2014, divulgado nesta semana, 60% das tentativas de acesso foram a conteúdo de pornografia. Em segundo lugar, vieram os jogos de azar (27%).
"O pai não precisa adicionar a URL (endereço do site) na ferramenta, basta escolher as categorias que a Kaspersky possui uma base de dados que se encaixam nestas categorias e fazem o bloqueio", explica Fabio Assolini, analista de Segurança sênior da Kaspersky Lab para o Brasil. O recurso também pode delimitar o horário de uso da internet e gerar relatórios de navegação. O Controle Parental também está disponível para dispositivos móveis.
Para Rodrigo Nejm, diretor educacional da Safernet, entretanto, os programas de controle "não são pedagógicos o suficiente" para educar a criança para o uso da internet e ainda podem representar uma invasão de privacidade dos jovens. A Safernet é uma entidade que promove a educação para uso seguro da internet. "É como contratar um detetive particular para perseguir os filhos em todos os lugares onde ele vai. Eventualmente, o pai vai perceber que algo estranho está acontecendo, mas a criança não vai saber perceber uma situação de perigo. Os programas de controle parental podem sinalizar quando um problema já está acontecendo, mas o melhor é evitar que aconteça."
Na opinião de Nejm, estes programas também representam invasão de privacidade da criança. "É, de certa forma, uma invasão de privacidade. É como se pegasse um diário íntimo ou olhasse a mala do filho, e a sensação é de violação da privacidade. (Os programas de controle parental) têm que ser vistos como última alternativa caso algo suspeito esteja acontecendo. A melhor alternativa é o diálogo, a orientação. A maior segurança é a relação de confiança entre pais e filhos." Para Nejm, desta forma, a criança será capaz de evitar perigos na internet e se sentirá à vontade de avisar os pais quando algo estranho estiver acontecendo.
"Acreditamos que os pais têm que fazer o controle da navegação do filho, não expor a determinados conteúdos muito cedo", devolve Fabio Assolini, da Kaspersky Lab. "É algo de dever dos pais. Nenhum pai deveria limitar o acesso à internet, pois ela facilita a comunicação da criança com os amigos, auxilia na sua formação, mas há conteúdo inapropriado na web como pedofilia e cybervulling." Assolini acrescenta que, sem controle, as crianças podem até mesmo vir a comprometer informações pessoais da família. "Por ser inocente, a criança passa a informação sem pensar que isto vai comprometer a família." A solução de controle parental da empresa também possui recurso que reconhece a digitação da criança e impede que ela envie informações pessoais pela internet.
Mas, ao mesmo tempo, o analista da Kaspersky alerta que o software, sozinho, não faz o papel de educador digital. "Acreditamos que deve ser feito um controle. Mas que não deve vir sozinho, e sim acompanhado de uma boa conversa. Os pais não devem delegar a educação digital dos filhos ao software. O software não exime os pais da responsabilidade de conversar com os filhos, pois mais cedo ou mais tarde, elas terão contato com conteúdo perigoso por outros computadores."

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