De 2013 para 2014, cresceu em mais de 100% o número de tentativas de acesso a sites bloqueados pelo Controle Parental – ferramenta oferecida pela Kaspersky Lab para impedir que crianças tenham contato com conteúdos potencialmente perigosos na internet. Segundo a empresa, o dispositivo foi acionado em média 127 vezes por usuário no ano passado.
O software da Kaspersky permite que o acesso a sites seja bloqueado nas categorias: conteúdo adulto; jogos de azar; armas; violência; álcool, tabaco e drogas; acesso anônimo (serviços que proporcionam anonimato ao usuário); e redes sociais. No levantamento referente a 2014, divulgado nesta semana, 60% das tentativas de acesso foram a conteúdo de pornografia. Em segundo lugar, vieram os jogos de azar (27%).
"O pai não precisa adicionar a URL (endereço do site) na ferramenta, basta escolher as categorias que a Kaspersky possui uma base de dados que se encaixam nestas categorias e fazem o bloqueio", explica Fabio Assolini, analista de Segurança sênior da Kaspersky Lab para o Brasil. O recurso também pode delimitar o horário de uso da internet e gerar relatórios de navegação. O Controle Parental também está disponível para dispositivos móveis.
Para Rodrigo Nejm, diretor educacional da Safernet, entretanto, os programas de controle "não são pedagógicos o suficiente" para educar a criança para o uso da internet e ainda podem representar uma invasão de privacidade dos jovens. A Safernet é uma entidade que promove a educação para uso seguro da internet. "É como contratar um detetive particular para perseguir os filhos em todos os lugares onde ele vai. Eventualmente, o pai vai perceber que algo estranho está acontecendo, mas a criança não vai saber perceber uma situação de perigo. Os programas de controle parental podem sinalizar quando um problema já está acontecendo, mas o melhor é evitar que aconteça."
Na opinião de Nejm, estes programas também representam invasão de privacidade da criança. "É, de certa forma, uma invasão de privacidade. É como se pegasse um diário íntimo ou olhasse a mala do filho, e a sensação é de violação da privacidade. (Os programas de controle parental) têm que ser vistos como última alternativa caso algo suspeito esteja acontecendo. A melhor alternativa é o diálogo, a orientação. A maior segurança é a relação de confiança entre pais e filhos." Para Nejm, desta forma, a criança será capaz de evitar perigos na internet e se sentirá à vontade de avisar os pais quando algo estranho estiver acontecendo.
"Acreditamos que os pais têm que fazer o controle da navegação do filho, não expor a determinados conteúdos muito cedo", devolve Fabio Assolini, da Kaspersky Lab. "É algo de dever dos pais. Nenhum pai deveria limitar o acesso à internet, pois ela facilita a comunicação da criança com os amigos, auxilia na sua formação, mas há conteúdo inapropriado na web como pedofilia e cybervulling." Assolini acrescenta que, sem controle, as crianças podem até mesmo vir a comprometer informações pessoais da família. "Por ser inocente, a criança passa a informação sem pensar que isto vai comprometer a família." A solução de controle parental da empresa também possui recurso que reconhece a digitação da criança e impede que ela envie informações pessoais pela internet.
Mas, ao mesmo tempo, o analista da Kaspersky alerta que o software, sozinho, não faz o papel de educador digital. "Acreditamos que deve ser feito um controle. Mas que não deve vir sozinho, e sim acompanhado de uma boa conversa. Os pais não devem delegar a educação digital dos filhos ao software. O software não exime os pais da responsabilidade de conversar com os filhos, pois mais cedo ou mais tarde, elas terão contato com conteúdo perigoso por outros computadores."

Imagem ilustrativa da imagem Tecnologia põe vida digital dos filhos sob supervisão dos pais



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