Tecnologia muda o mapa da economia
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quarta-feira, 27 de agosto de 1997
Danielle Brito Especial para Folha Hightech 
DivulgaçãoJoelmir Beting: a modernização virou palavrão por causa do desemprego, mas historicamente a modernidade expande fronteirasCriatividade, competitividade e globalização foram os termos mais recorrentes na sexta edição do Tecnologia da Informação 97, evento realizado pelo Grupo Algar, semana passada, no centro de convenções do Hotel Meliá em São Paulo. Em dois dias de conferências, convidados brasileiros e estrangeiros abordaram Criatividade e Novas Mídias sob várias perspectivas.
O editor de economia da TV Globo, Joelmir Beting, abriu a programação com uma abordagem geral do setor financeiro no Brasil na era das mudanças tecnológicas. Jornalista econômico com 35 anos de experiência, Beting esboçou uma visão otimista do que chamou de o único país a pôr na jaula uma inflação inercial. De acordo com ele há exagero da mídia nas críticas ao Real, mas admite que o caminho a percorrer para a estabilização é longo e demorado. A previsão é de que o Brasil tenha que sobreviver por alguns anos sem a reforma fiscal.O futuro do país está nas mãos da desindexação progressiva de todo o sistema de preços e contratos, da modernização do aparelho econômico e da competição.
O economista apresentou números para subsidiar a visão positiva frente ao plano econômico. Segundo ele, o setor das telecomunicações apresentou o maior salto no PIB, 44,2% contra 31,4% do comércio e 19,6% dos transportes. O país projetou R$115 bilhões de investimentos para as telecomunicações e só a privatização do Sistema Telebrás renderia aos cofres da União cerca de R$120 bilhões.O Real é mais forte que a inflação, sentencia. Tomando como base projeções do IPEA - Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas -, Beting acrescentou que o PIB brasileiro passará de US$ 800 bi para US$ 1,3 trilhões em 2006.
A opinião de Joelmir Beting sobre a globalização diverge com a de muitos críticos. O fenômeno, diz, não foi esperado e nem premeditado por nenhuma empresa. E as maiores tem sofrido mais com as mudanças, inclusive as de tecnologia de ponta como a IBM. Ele afirma que a globalização econômica viabilizou a globalização de produtos e serviços e estabeleceu a regra da velocidade de percepção. A globalização acelerou a desestatização, a interiorização do desenvolvimento e também o futuro da tecnologia da informação. Ainda dentro da discussão, o jornalista ressaltou a transferência de tecnologia do Primeiro para o Terceiro Mundo através da globalização e, em consequência, o aumento de empregos, salários e movimentação monetária.
A questão trabalho X desemprego fechou a esplanação de Beting no evento. A modernização, salientou, virou palavrão por causa do desemprego. De acordo com ele, a controvérsia que põe a tecnologia contra o trabalho humano é infundada, pois a história mostra que a modernidade expande fronteiras e gera mais trabalho. A modernização enobrece o trabalho humano. Em termos gerais, existe uma migração de empregos dentro da economia, mencionou.
A tecnologia é o setor da economia que mais cresce em todo o mundo. Só nos Estados Unidos, o emprego industrial caiu de 43% para 18%. Beting compara a revolução causada pelo micro ao desenvolvimento liderado pela cartilha impressa. Segundo ele, a velocidade de percepção das mudanças, de decisão, de execução e aferição serão requisitos básicos para quem quiser sobreviver dentro do mercado globalizado e extremamente competitivo. Não é mais o maior que devora o menor. É o veloz que devora o lerdo, concluiu.
ATM e InternetO segundo conferencista do dia foi Onat Menzilcioglu, presidente da Fore Systems e especialista em Asyncrhonous Transfer Mode (ATM). Sob o tema ATM: Construindo a Nova Infra-estrutura para os futuros serviços da Internet, Menzilcioglu abordou a necessidade de novas tecnologias em comunicações que permitam ao Brasil dinamizar o uso da rede mundial de computadores como ferramenta na competitividade dos negócios.
A Fore Systems, detentora da tecnologia ATM, é uma das principais empresas de rede dos EUA penetrando em mais de 40 países, inclusive no Brasil. A ATM permite transportar voz e vídeo pelo mesmo cabo com alta velocidade. Trata-se de uma combinação de computadores e programas de acesso orientada por conexão e com tecnologia de fibra ótica. O aspecto mais específico é que antes passar de uma rede para outra era mais difícil. A ATM cobre um grande espectro da comunicação iniciou Menzilcioglu. Para ele, a tecnologia evolui a passos rápidos tornando-se quase impossível acompanhar o ritmo. Nos últimos quatro anos houve um crescimento explosivo em PCs e Internet. O computador se tornou quase um substituto da TV. Estamos presenciando uma revolução semelhante a provocada pelo telefone.
Ainda no aspecto residencial, o presidente da Fore Systems salientou a mudança social causada pela Internet e a abrangência deste novo caminho de comunicação. É uma ferramenta útil que criou, por exemplo, o comércio eletrônico. Muitas empresas se formaram para atender este mercado, lembrou.
No âmbito corporativo, as redes se tornaram essenciais para a empresa. Novos produtos estão sendo lançados e suas aplicações proliferam. A Intranet corporativa possibilitou a transformação da matriz e filiais em uma única empresa virtual. Todos querem uma rede sem barreiras. Para estas corporações os desafios são: a parceria entre as empresas, fornecedores, etc; adição de serviços novos e a necessidade de segurança, enumerou Menzilcioglu. Segundo ele, há uma mudança na forma com que os negócios são conduzidos; a Web está reinventando as aplicações. As redes dificultam estas transações porque não foram inventadas para isso, salientou.
Para o executivo, existe a necessidade de consolidar as redes. No futuro, voz, dados e vídeo estarão na mesma infra estrutura celular. Este processo passará necessariamente pela desregulamentação e pelo aumento da concorrência. Os recém chegados querem oferecer mais rapidamente e melhor que o vizinho. Ele prevê a fusão das redes de computação e telecomunicação. Haverá investimentos maciços nos próximos anos. Aumentarão as empresas com novos serviços.
A velocidade de processamento dos computadores duplica a cada dois anos ao passo que os equipamentos tornam-se mais baratos permitindo o acesso de um número cada vez maior de pessoas. Esse processo associado à crescente fusão do computador aos aparelhos domésticos irá aumentar de maneira dramática o tráfego na Internet. A tecnologia das redes evolui em ritmo semelhante. As fibras óticas aumentam a largura da banda. E a rede terá que dar suporte para os vários padrões de tráfego: voz, dados, vídeo, complementou.


