Liana John
Agência Estado
Um compromisso interno do governo alemão, de substituir pelo menos 60% do plástico comum consumido no país por plásticos biodegradáveis, depende de tecnologia brasileira. O compromisso alemão é de longo prazo: por lei, a substituição deverá ser feita até o ano 2060. Mas a tecnologia brasileira já está pronta e entrou, nos mês de outubro, na fase final de testes, na Alemanha, na forma de 1 tonelada de polímeros de plástico de cana-de-açúcar.
O objetivo dos alemães é aliviar os aterros sanitários do enorme volume de plásticos de petróleo, consumidos à razão de 70kg por habitante por ano (o Brasil consome cerca de 15kg por habitante/ano). O plástico biodegradável também reduziria o custo atual de disposição ou eliminação do lixo plástico de 1.500 para 500 euros por tonelada.
O plástico brasileiro tem concorrentes entre outros plásticos biodegradáveis recentemente desenvolvidos, como os polialcanoatos de açúcar de beterraba, milho ou canola, poliactinas, álcool polivinílicos, policaprolactona e acetatos de celulose. Mas só em escala de laboratório. Em escala comercial, a tecnologia nacional bate os concorrentes nos custos na semelhança de suas propriedades com o plástico comum e na biodegradabilidade.
Cientificamente conhecido como polihidroxibutirato, ou PHB, o plástico biodegradável de cana é um polialcanoato, como os plásticos de açúcar de beterraba, milho e canola (este, em fase de pesquisa na Monsanto). Porém, ele custa de duas a três vezes menos do que seus ‘‘primos’’ europeus e norte-americanos, graças, sobretudo, à utilização do bagaço de cana na cogeração de energia e ao baixo custo relativo da cultura da cana.
Como o poliestireno e polipropileno, o PHB amolece a 140ºC e funde a 165ºC. Mas demora bem menos do que aqueles derivados de petróleo para degradar no ambiente. Ao invés de 40 anos, o PHB leva apenas um ano para ter cerca de 90% de seu volume consumido por bactérias e fungos, esteja enterrado no solo, em montes de compostagem, em fossas sépticas, nas águas de rios ou no mar, conforme mostra Carlos Eduardo Vaz Rossell, da Copersucar.
O PHB é um produto da fermentação do açúcar por microorganismos do gênero Alcalígenes sp. em ambiente controlado (bioreatores). Depois que os microorganimos transformam o açúcar em plástico, pequenas bolinhas do plástico são extraídas com solventes naturais, 100% recicláveis. O processo é todo automatizado e isolado. O desenvolvimento é da Copersucar (http://www.copersucar.com.br) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, IPT (http://www.ipt.br). A planta-piloto fica na Usina da Pedra, em Serrana, interior de São Paulo, de onde já saíram os primeiros sacos de PHB testados na Alemanha.

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