Tecnologia a favor da inclusão
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Mie Francine Chiba <br> <br> Reportagem Local 
Conforme as novas tecnologias e pesquisas a respeito delas vão surgindo, mais acadêmicos e empreendedores vão notando os benefícios e facilidades que elas podem trazer às pessoas com alguma deficiência. E, mesmo que haja empecilhos para que estas tecnologias cheguem aos que precisam, londrinenses estão trabalhando para oferecer mais qualidade de vida a deficientes auditivos e crianças com alguma deficiência mental, por exemplo.
Pessoas com deficiência auditiva podem ter mais liberdade e autonomia no dia a dia com um serviço de videoconferência, que passou a ser oferecido em Londrina em outubro do ano passado pela Viável Brasil. Por meio de um aparelho com câmera em formato de tablet, chamado de VPad, o deficiente auditivo pode ligar para o serviço, e um intérprete intermedia a conversa com quem ele deseja falar aparecendo por videoconferência. O contrário também acontece: quando um ouvinte quer falar com um surdo, ele liga para o serviço e o intérprete intermedia o diálogo. Os deficientes auditivos também podem comunicar entre si, sem custo nenhum.
A empresa utiliza tecnologia desenvolvida nos Estados Unidos, onde recebe o nome de Viable. A Viável é a primeira a oferecer a tecnologia e o serviço na América do Sul, afirma o proprietário, Alexsandro José Carvalho, que também é deficiente auditivo. O serviço de videoconferência para comunicação entre surdos existe apenas em quatro países, além do Brasil.
De acordo com pesquisa realizada pelo professor Neivaldo Augusto Zovico, coordenador nacional de Acessibilidade para Surdos da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), que é deficiente auditivo, a maioria dos surdos prefere o recurso de videoconferência ao TDD para se comunicar. O TDD é um telefone público com teclado que foi adotado pelo governo como maneira para quem não escuta se comunicar. O telefone aparece em quarto lugar na preferência dos surdos. Segundo o professor, os surdos consideram que o TDD ''é coisa velha'', e querem tecnologia. Em segundo lugar na preferência dos deficientes auditivos, está a mensagem de texto, e em terceiro, o chat on-line.
Um dos motivos para os deficientes auditivos preferirem a videoconferência está na possibilidade de que, com este serviço, poderem se comunicar na sua própria linguagem: libras. ''Os surdos têm o direito de se comunicar na sua própria língua'', reivindicou Alexsandro Carvalho, com a intermediação de uma intérprete de libras.
Ele lembra que os surdos têm dificuldades de se comunicar pela escrita porque encontram mais barreiras no aprendizado da língua portuguesa do que as pessoas que conseguem escutar. Dessa forma, esse grupo acaba dependendo de pessoas que façam ligações para eles. ''A videoconferência ajuda o surdo a ter independência, autonomia. Com o aparelho (o VPad), posso fazer isso sozinho'', conta o proprietário da Viável Brasil.


