Arquivo FolhaCaosTécnicos prevêem que o efeito da chegada do século será ainda maiorOs especialistas em informática dos Estados Unidos e da Europa estão prevendo que a chegada do ano 2.000 vai representar a ‘‘bomba’’ da data com a confusão total na memória dos computadores. Os programas não irão conseguir distinguir entre os séculos 20 e 21 e aí a ‘‘bomba do milênio’’ vai afetar as companhias de todo o mundo, interrompendo a comunicação cliente-servidor, além de atingir processadores que controlam diversos equipamentos. O descontrole do sistema poderá ser total.
O problema não é novo, mas antes se pensava que somente os sistemas antigos poderiam ser atingidos. Mas o último alerta dos estudiosos é de que o efeito da bomba do milênio será muito maior do que se imaginava. Eles prevêem que serão atingidos até semáforos, usinas de energia, plataformas de petróleo, aviões militares e carros. Enfim, todos os equipamentos que dependem de uma multiplicidade de processadores embutidos em seus sistemas.
Todo esse perigo é decorrente do alto preço da memória de computador nos anos 60 e 70. Para economizar memória, os programadores armazenavam dados sobre datas na forma de dois dígitos, em lugar de quatro. Esses sistemas de programas antigos não conseguirão distinguir entre as datas de 1900 e 2000. Pelo menos três tipos de problemas, segundo os especialistas, vão ocorrer: alguns sistemas interromperão seu funcionamento; outros vão provocar erros; e alguns deles irão falhar de forma imprevisíveis.
Preocupadas com essa ameaça, as companhias americanas, com o apoio do governo dos Estados Unidos, estão levando o assunto a sério. O investimento é pesado para tentar evitar o bloqueio das máquinas e a consequente paralisação dos serviços. Sabendo que se isso vier a ocorrer os prejuízos serão incalculáveis, pesquisas mostram que mais de um terço das companhias americanas já está tomando providência para corrigir sistemas defeituosos. Quanto mais se aproxima da data fatal, maior é a preocupação com a adoção de medidas para combater a ‘‘bomba’’ da data.
Pela terceira vez consecutiva, a Grã-Bretanha tentou sensibilizar os demais países da União Européia para que fossem tomadas medidas urgentes de prevenção contra a ameaça do milênio. Há duas semanas, o ministro da Ciência e Tecnologia do Reino Unido, Ian Taylor, advertiu seus colegas da Europa, alertando que o efeito da paralisação dos computadores será um perigo para as empresas e também uma ameaça para a sociedade. ‘‘Vão ser afetados desde hospitais até superpetroleiros e as comunicações comerciais poderão entrar em colapso’’, previu.
Martin Bangemann, comissário da Indústria e Telecomunicações da União Européia, também classifica o assunto como ‘‘bastante sério’’, mas lamenta que na Europa a preocupação com esse problema não tem despertado o interesse necessário para que se buscar uma solução conjunta. Com essa indiferença, a Comissão Européia de Ciência e Tecnologia deixou claro que não tem intenção de montar uma campanha de conscientização junto a companhias e governos da Europa.
Ainda que quase solitário em seu posicionamento, o governo britânico criou um órgão especificamente para tratar desse problema. Robin Guenier, responsável pelo novo órgão, revelou que apenas 10% das empresas britânicas estão adotando medidas corretivas. ‘‘A ameaça está presente em incontáveis chips lógicos embutidos em uma infinidade de aparelhos, de sistemas telefônicos e de segurança a equipamentos de geração e processamento de energia’’, adverte Guenier, fazendo um último apelo:‘‘Já esta ficando tarde demais para que as companhias comecem a reformar seus sistemas de computadores’’.

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