Técnica aumenta eficácia da cirurgia de glaucoma
Uma técnica simples desenvolvida em Cianorte (87 quilômetros a nordeste de Umuarama) diminui os riscos e aumenta a eficiência da cirurgia de glaucoma, uma doença que provoca cegueira. O método, criado pelo oftalmologista Manuel Duque da Bárbara, substitui o uso de uma substância anticancerígena aplicada durante a cirurgia e que causa efeitos colaterais em 30% a 40% dos pacientes. Em vez de pingar colírio com substância anticancerígena para retardar a cicatrização e permitir a formação de uma bolha no olho, Bárbara passou a suturar o tecido cortado, criando uma espécie de rede. A bolha se forma e o fio é absorvido posteriormente pelo organismo. Batizada de técnica do fio, já está sendo usada em várias Estados e vai ser apresentada este ano no 7º Congresso Sul-Brasileiro de Oftalmologia que se realizará em dezembro, em Curitiba.
O glaucoma é causado pelo aumento da pressão interna do olho. O globo ocular possui um líquido produzido constantemente e escoado através de um pequeno orifício chamado Canal de Schlemm. Quando este canal entope, o líquido se acumula e aumenta a pressão interna do olho. A pressão alta causa lesão gradativa no nervo óptico. A pessoa com glaucoma vai perdendo lentamente o campo de visão, da periferia para o centro. Por isso, demora para perceber que está ficando cega. Segundo Bárbara, estima-se que 4% da população tem esse problema, mas a maioria não percebe. Geralmente, quando o paciente se dá conta, já perdeu boa parte da visão.
Normalmente, a pressão interna do olho gira entre 12 a 19. A cegueira causada pelo glaucoma é irreversível, mas a evolução do problema pode ser interrompida a qualquer tempo. Quanto antes se fizer o diagnóstico, menores serão as consequências. O diagnóstico é feito através de exames simples: medida da pressão intra-ocular, exame do nervo óptico e exame de campo visual. Segundo o oftalmologista, todas as pessoas com mais de 40 anos devem fazer exames periódicos para prevenir o glaucoma. Os míopes e quem já tem casos de glaucoma na família estão mais sujeitos à doença.
O tratamento do glaucoma se faz basicamente controlando a pressão intra-ocular. Dependendo do estágio da doença, o controle é feito com colírios de uso contínuo. Outra alternativa é a aplicação de laser. O laser provoca uma abertura na parte colorida do olho, permitindo que o líquido aquoso circule melhor. Entretanto, o tratamento com laser resolve apenas 16% dos casos. Em 84% dos pacientes, o problema volta à situação anterior. A cirurgia é indicada quando nenhum outro tratamento consegue conter os danos à visão. Pelo menos 16% das cirurgias que o oftalmologista faz todo mês são para conter o glaucoma.
Bárbara explica que a intervenção cirúrgica consiste em fazer uma abertura triangular no tecido escleral, localizado na transição do branco para a parte colorida do olho. Ao cicatrizar, a abertura forma uma pequena bolha que permite a filtragem do líquido óptico. O líquido que se acumulava no interior do olho passa a ser filtrado por fora da parede externa do olho, diminuindo a pressão interna. O sucesso da operação depende de retardar o processo de cicatrização do corte triagular que vai formar a bolha.
Na técnica convencional, isto é obtido aplicando-se uma substância anticancerígena. A substância, no entanto, é muito agressiva, podendo causar danos irreversíveis ao tecido ocular e até mesmo perfurar o olho. Por causa disso, Bárbara passou a estudar uma forma de retardar a cicatrização sem precisar usar o medicamento. Na técnica do fio, a sutura milimétrica obtém o mesmo resultado, não tem nenhuma contra-indicação nem causa efeito colateral. A cirurgia ficou mais segura e eficiente. A técnica já rendeu ao médico um convite para trabalhar no setor de glaucoma da Escola Paulista de Medicina.
O aposentado José Pereira, 58 anos, de Goioerê, foi um dos primeiros pacientes de Manuel da Bárbara a ser operado com a técnica do fio em maio de 96. Pereira já havia feito vários tratamentos, mas nada conseguia conter o glaucoma que o estava deixando cego. Depois da ser operado com a técnica de Manuel da Bárbara, a pressão ocular dele baixou de 27 para 12. Hoje, José Pereira diz que nunca mais sentiu dor de cabeça, a visão está boa e só vai ao médico agora de vez em quando para ter certeza que está tudo bem.Vânia MoreiraO oftalmologista Manuel Duque Bárbara explica a nova técnica: sutura no olho substitui uso de colírio com substância anticancerígena utilizado para retardar cicatrizaçãoVânia Moreira





