Albari RosaFoca: ‘‘O equipamento reproduz muito bem o movimento da mão. É como se eu realmente estivesse usando tinta’’Histórias em quadrinhos, Pop Art, violência urbana e erotismo misturados pelo gênio do artista e expressas através da computação gráfica. Esse mix compõe a mais recente exposição do artista plástico Foca, em Curitiba. Depois de cinco anos sem expor, ele reencontrou no tablet Wacon Artpad II o prazer de desenhar. ‘‘Essa tecnologia vai causar um revolução na arte digital, que até agora era uma coisa a parte do restante das artes gráficas’’, diz o artista.
O tablet é um conjunto de caneta e suporte que transfere para o computador desenhos manuais. ‘‘O equipamento reproduz muito bem o movimento da mão. É como se realmente eu estivesse usando tinta’’, comenta Foca. ‘‘Fora isso, a facilidade para trocar de pincel, tinta e papel é uma beleza’’, acrescenta. ‘‘É possível até variar o tipo de ‘papel’ que serve de base para o desenho, inventando texturas diferentes a partir das que estão pré-configuradas’’, completa.
A exposição, que está no Espaço de Arte Ibakatu (Rua Itupava 415, Alto da XV) é composta por dez quadros cujos tamanhos variam de 0,90 x 1,10 metros a 0,90 x 1,85 metro, todos ‘pintados’ num computador Pentium 100Mhz e 32 Mb de RAM, com tablet e os softwares Fractal Design Painter e Photoshop. ‘‘Por causa da limitação do computador, os quadros acabaram ficando com cores sólidas, bem chapadas, parecidos com a Pop Art’’, diz Foca.
Os desenhos foram impressos numa HP 650, utilizando papel indicado pela Hewllet-Packard. Quanto à questão da perenidade das obras, fundamental para sua aceitação pelo mercado de arte e para definição dos preços, Foca tem a garantia da HP de que os desenhos se mantenham íntegros por pelo menos dez anos. ‘‘Uma pintura a óleo dura séculos; uma fotografia, um século; um desenho a nanquim, uns 50 anos. Não posso vender caro um desenho por computador, pois o suporte não é nobre’’, avalia o artista.
Os quadros da exposição custam de R$ 300,00 a R$ 500,00, dependendo do tamanho. Cada obra tem de seis a oito cópias, que são assinadas e numeradas.
‘‘Desde 1988 que fuço a informática, mas ainda não havia conseguido enfiar meu traço no computador’’, comenta Foca, que trabalha como diretor de arte para publicidade e já fez cartuns para jornais e quadrinhos eróticos.

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