Surfando na Internet, mães
descomplicam o dia-a-dia
Na rede, mulheres de todo o Estado encontram informações utilíssimas sobre como ajudar os filhos e viver melhor
Elisa Marilia Carneiro e
Paulo Pegoraro

Marcelo Almeida
A internauta Marilda Guimarães com os filhos: compras na rede e informações sobre moda, beleza e estéticaAs mães já estão concorrendo com os filhos no surfe. Ainda não na praia, mas na Internet. Mães que surfam na Internet são mais fáceis de achar do que nas ondas. Em todo o Estado, muitas delas usam a rede de informações para pesquisar sobre sua área de atuação e ajudar os filhos com tarefas escolares.
A médica legista Marilda Guimarães, de Curitiba, usa a rede para se atualizar, fazer compras e definir passeios. ‘‘Sempre leio o boletim semanal do provedor para escolher os assuntos que me interessam mais’’, conta. Quando não tem tempo de ler o jornal, Marilda recorre à Internet. ‘‘Pelo menos fico informada do que está acontecendo’’.
Das revistas eletrônicas, Marilda pesquisa sobre novos produtos na área de beleza, moda e estética. Mãe de dois meninos, ela diz que já comprou roupa para os filhos, mas a grande ajuda vem na hora do supermercado. ‘‘Me cadastrei, recebi o cartão, a senha, tudo pela Internet. Agora faço compra virtual’’.
Edson Mazzetto
Nádia Notari, de Cascavel: através da Internet contato com ‘‘um mundo bastante sofrido’’; e noções sobre dentição
Programando as férias de julho, Marilda diz que já entrou em vários sites. ‘‘É possível fazer reservas, pesquisar sobre pacotes, conhecer o clima da região. É tanta informação que ainda não definimos para onde vamos’’, brinca.
Da mesma forma, a chef de cozinha Kátia Lenti usa a rede para se atualizar nas receitas, produtos e compras. ‘‘Dia desses me ofereceram um champignon plantado aqui mesmo em Curitiba. Fui direto para a rede saber como usar, o nome correto e a época de colheita’’, conta. Com quatro filhos, ela ainda não tem conexão em casa. Usa o escritório do marido para os surfes.
Com dois filhos adultos cursando faculdade em São Paulo, a londrinense Maira Pavan, não acessa a Internet propriamente para a educação deles, mas para comunicar-se com os jovens universitários. Como Nilton e Lúcio moram longe de casa, os cuidados da mãe com eles também são garantidos graças à rede. ‘‘Eu faço as compras para eles também via Internet’’.
Marcos Negrini
Karen Schwabe, internauta e mãe de Maringá: dados preciosos e curiosidades do mundo inteiro
Roteiros para viagens também são feitos por Maira Pavan, através da Internet. Silvia Lúcia Mascaro tem um ateliê de artes em Londrina. Por força de sua profissão ela acessa a rede mais para fazer pesquisas de artes e educação. Mas os dois filhos adolescentes, Estevão, 17 anos e Clarissa, 15 anos, também fazem com que Silvia gaste parte de seu tempo navegando em busca de informações que a auxiliem com eles.
‘‘Outro dia meu filho me perguntou sobre globalização’’, conta. ‘‘Não tive dúvidas acessei a Internet para explicar corretamente a ele’’, conta Silvia.
A Internet também foi acessada por Silvia quando o filho estava prestando vestibular. ‘‘Buscamos na rede todas as informações sobre faculdades de engenharia mecânica no Brasil’’, conta. Os sites que trazem informações sobre saúde, alimentação e exercícios físicos também são visitados por Silvia com frequência.
Outra londrinense que é internauta há algum tempo, dois anos e meio, é a professora da Unopar, Denise Campanelli. Docente do curso de educação artística, Denise navega em busca de informações sobre educação em geral e também para auxiliar o filho Cauê, 12 anos, em pesquisas escolares.
Algumas receitas culinárias também já foram conseguidas por Denise junto à Internet, assim como para ficar por dentro das tendências de moda dos grandes costureiros, fazer consultas de turismo.
Outra mãe que utiliza a rede em busca de informações sobre turismo é a arquiteta de Maringá Karen Schwabe, diretora de programas e projetos do Instituto de Pesquisa e Planejamento (Iplan). Karen que costuma aproveitar as férias para viagens marcantes com a família, usa e abusa dos sites para se inteirar das cidades em diversos países do mundo e o que elas oferecem em termos de diversão e cultura.
Trabalhando em período integral na Prefeitura de Maringá, a arquiteta aproveita as horas de folga em casa para curtir os dois filhos e navegar junto com eles na Internet. Acostumada a recorrer a ajuda virtual para pesquisas no trabalho, Karen fica à vontade para navegar nos programas de jogos infantis e ensinar aos filhos, principalmente Rodrigo, de 6 anos, as artimanhas do computador.
‘‘Eles gostam de navegar principalmente nos jogos infantis, então acabo ficando horas na frente do computador com eles mesmo depois de um dia de trabalho’’, diz. Na prefeitura, Karen ajuda a fazer a página oficial do município na Internet que contém dados da cidade e eventos. Em casa, a internauta prefere os sites de curiosidades.
Ela diz que costuma navegar nos sites de meteorologia. ‘‘Gosto de saber a previsão do tempo e as informações nestes sites são sempre bem atualizadas e corretas’’, diz. Para ela, a mania de navegar na Internet deve ser seguida por todos. Os filhos dela, ao que tudo indica seguirão os passos da mãe internauta.
Moda, culinária, formação das crianças, também estão entre os assuntos que levam a dona de casa de Cascavel, Nádia Notari, mãe de dois filhos a entrar na Internet. Ela também navega para pesquisar a música gospel, pois é evangélica, e para conhecer a realidade ‘‘de um mundo sofrido’’ - os povos de países onde a fome e a miséria predominam.
Com um filho de menos de dois anos no colo, e o outro de oito por perto, ambos bem nutridos, a mãe contempla imagens e lê relatos que a deixam ‘‘triste’’, como da Índia. Ela diz que alguns detalhes sobre os costumes do povo hindu a impressionam, como o fato das pessoas se banharem no Rio Ganges, ‘‘para purificação, mesmo com cadáveres por perto’’. Outro detalhe é os hindus passarem fome mesmo havendo animais como bovinos, porque os consideram ‘‘sagrados’’.
Segundo Nádia Notari, ‘‘a triste realidade destes povos deve fazer com que mantenhamos vivo o espírito cristão’’. Na rede aprendeu, por exemplo, sobre a primeira dentição, que, protegida, reverterá ‘‘em dentes sadios talvez para a vida toda’’.
Comerciante em Foz do Iguaçu, Maria Helena Pauwels, 36 anos, mãe de dois adolescentes é capaz de discutir com qualquer um para ter o direito de navegar na Internet. Maria Helena se declara uma internauta apaixonada por conhecimentos de outras culturas, principalmente a latino-americana. ‘‘Acesso um canal de Miami (Starlink), melhoro meu espanhol e troco informações com pessoas de excelente nível intelectual’’, resume a comerciante.
O filho mais novo, Bruno, de 12 anos, é apontado como o principal responsável por ter uma mãe internauta. ‘‘Ele vivia me dizendo que a Internet era um barato, que eu deveria experimentar’’, lembra Maria Helena, que hoje navega junto com Bruno e com seu outro filho Matheus, de 17 anos. ‘‘Só quem não curte a rede é o ciumento do meu marido. Ele confunde Internet com depravação’’, lamenta.
Além dos chats, Maria Helena também descobriu páginas sobre a cultura hispânica, através dos amigos feitos na rede. Um professor universitário mexicano, uma espanhola distribuidora de perfumes, um promotor artístico e um neurocirurgião argentino indicam as melhores páginas sobre a cultura de seus países. O mais impressionante é que todos eles já visitaram Foz do Iguaçu por influência dos diálogos eletrônicos. (colaboraram Érika Pelegrino, Lucinéia Parra e Flávio Moura)

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