Superluminais extrapolam limites da velocidade da luz
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de abril de 1997
Paulo San Martin Especial para a Folha Ciência 
Waldemar PadovaniWaldyr Rodrigues Jr.: A Teoria da Relatividade talvez já não sirva para explicar todo o UniversoA velocidade da luz não é o limite máximo de velocidade que se pode atingir no Universo. Esta afirmação, que põe de pernas para o ar algumas das principais certezas da Ciência contemporânea e subverte os princípios da Teoria da Relatividade de Albert Einstein, colocou a Unicamp (Universidade de Campinas, SP), no centro de um vasto debate que envolve algumas das mais importantes instituições e nomes da Física mundial.
O responsável por isso é um relatório de pesquisa assinado pelo professor Waldyr Rodrigues Jr., diretor do Instituto de Matemática da Unicamp, e pelo biofísico chinês, residente nos EUA, Jian-Yu Lu. Este relatório, conhecido desde o início de 96 e publicado no mês passado pela Foundations of Physics, uma das mais importantes revistas de referência sobre Física da comunidade científica mundial, mostra teoricamente e revela evidências experimentais de que é possível produzir ondas superluminais, ou seja, ondas que viajam acima da velocidade da luz.
O mesmo relatório comprova a existência de ondas eletromagnéticas que se propagam em feixes direcionados, o que contraria todos os princípios admitidos pela ciência moderna. De acordo com a Física que se ensina hoje a partir da escola básica, as ondas se dispersam e perdem energia à medida em que se propagam. Mas o relatório de Waldyr e Jian-Yu mostra a existência de ondas que se concentram em um feixe direcionado e não dispersam, adquirindo a forma de um projétil com alta concentração de energia durante a propagação (veja ilustração nesta página). Estas ondas foram chamadas por Waldyr e Jian-Yu de Ondas X devido à sua forma.
DivulgaçãoAcima, vê-se uma onda de ultrassom comum, emitida em meio líquído. Abaixo, uma onda superluminal, obtida nas mesmas circuntâncias, que se apresenta muito rápida, como se fosse um bólido
Ondas X na faixa do ultrassom do espectro eletromagnético foram obtidas experimentalmente por Jian-Yu nos laboratórios do Departamento de Fisiologia e Biofísica da Clínica Mayo, de Rochester, EUA. Por este trabalho ele recebeu, no ano passado, os prêmios teórico e experimental conferidos pelo Institute of Eletric and Electronical Engeneering, uma das mais importantes premiações científicas dos EUA. Esta comprovação experimental feita pelo Jian está causando uma verdadeira revolução nas técnicas de ultrassom para uso médico, conta Waldyr Rodrigues Jr. Mas não é só isso: elas preconizam transformações profundas em diversas áreas das comunicações A possibilidade de obter ondas superluminais com estas características - o que está sendo tentada pelo Departamento de Microondas da Faculdade de Engenharia Elétrica da Unicamp - permite antever o surgimento de uma tecnologia tão poderosa quanto destrutiva. Durante a apresentação de seu trabalho para um grupo de físicos, no ano passado, Waldyr se lembra que alguns deles cunharam o nome para uma possível arma que utilizasse ondas superluminais. Devido à quantidade de energia que concentra, esta arma se transformaria em um verdadeiro canhão do Apocalipse , diz.
De acordo com Waldyr, uma vez rompida a velocidade da luz, tida como limite para nossa ação no Universo, uma nova visão da Natureza terá que ser construída. Nós estamos chegando ao limite da Teoria da Relatividade. Isso quer dizer que talvez ela já não sirva para explicar todo o Universo, diz.
EvidênciasNos últimos dez anos surgiram importantes evidências de que a Teoria da Relatividade precisa ser revista. Um dos precursores mundiais desta tendência foi o físico brasileiro, César Lattes, também da Unicamp, que apresentou em 81 uma série de evidências experimentais que contestavam os princípios de propagação da luz enunciados por Albert Einstein no início do século (leia texto nesta página).
Mas foi uma experiência recente, realizada pelo físico alemão Gunter Nimtz, em 95, que colocou lenha na fogueira. Nimtz afirma ter enviado a 40ª Sinfonia de Mozart, de um ponto a outro no espaço e dentro de um guia de onda, a 4,7 vezes a velocidade da luz (no vácuo). Esta experiência, publicada em revistas científicas, revistas de divulgação científica e em praticamente todos os cadernos de ciência dos principais jornais do mundo, deu notoriedade internacional a Nimtz.
Apesar da evidência experimental, o trabalho de Nimtz sofreu fortes resistências nos meios científicos devido à falta de bases teóricas que pudessem justificar os resultados.
No exercício da Ciência, a teoria é um instrumento indispensável. No caso do estudo da luz e da propagação das ondas eletromagnéticas, existe um conjunto de equações capaz de prever com exatidão o seu comportamento nas mais diversas condições. Soluções que não existam nestas equações nunca se realizam na prática. E nenhuma destas equações prevê a existência de ondas capazes de viajar acima da velocidade da luz. Para justificar algumas ocorrências obtidas em laboratório nos últimos anos, os físicos chegaram a imaginar a existência de uma partícula capaz de viajar acima da luz, mas que não podia se comportar como as ondas eletromagnéticas conhecidas. Esta partícula recebeu até um nome: táquion, embora sua existência nunca tivesse sido comprovada.
Foi a partir dos últimos anos - depois de ter, também, se fascinado pelos táquions - que Waldyr Rodrigues imaginou uma solução mais simples. Pensei que aquelas equações da Física Clássica, afinal, poderiam ter uma solução superluminal. Ou seja, que poderia existir ondas capazes de se comportar de maneira diferente daquilo que a Ciência sempre admitiu como certo, explica.
Waldyr perseguiu estas soluções durante anos, sem resultados. A primeira intuição só surgiria em uma noite de julho de 1995 (leia texto nesta página).


