Superbactérias são descobertas
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de abril de 1999
France Presse 
Vários pesquisadores espanhóis, alemães e americanos descobriram nas águas da Namíbia (África) uma nova variedade de bactérias gigantes, cem vezes maiores do que as maiores espécimes achadas até agora, segundo informa a revista Science, publicada na semana passada.
O tamanho destes organismos vivos compostos por uma única célula oscila entre 0,1 e 0,3 milímetros, mas pode alcançar até três quartos de milímetro de diâmetro nos maiores exemplares, o que permite vê-los a olho nu.
Pesquisadores da Universidade de Barcelona (Espanha), do Instituo Max Planck, de Bremen (Alemanha) e do Instituto Oceanográfico Woods Hole (Maine, EUA) batizaram este novo membro da família das bactérias como Thiomargarita namibiensis, que significa pérola sulfurosa da Namíbia.
Os biólogos descobriram os primeiros exemplares em abril de 1997, enquanto buscavam depósitos de sedimentos nas costas atlânticas da Namíbia a bordo do navio científico russo Petr Kottsov.
Estas bactérias eram tão grandes que meus colegas se negaram a crer num primeiro momento, disse a bióloga Heide Schulz, do Instituto Max Planck. Mas trabalho há bastante tempo nestas bactérias exóticas e comprovei em seguida que (estes organismos) eram bactérias que se alimentavam de enxofre, acrescentou.
Para explicar sua descoberta, os pesquisadores traçam um paralelismo com o reino animal: esta bactéria seria o equivalente da baleia azul, enquanto as clássicas apenas alcançariam o tamanho de uma cria de rato.
Além de seu tamanho, as bactérias apresentam algumas peculiaridades em seu modo de vida: descansam em zonas sedimentares ricas em sulfureto de hidrogênio, tóxicas para a maior parte dos animais.
Como outras variedades de bactérias descobertas nas costas do Pacífico da América do Sul, a Thiomargarita se alimenta de enxofre, oxidando-o graças a reservas de nitratos que extraem da água do mar e que armazenam regularmente antes de se refugiarem em seu sedimento para degustá-lo.
Até a recente descoberta das primas sul-americanas da pérola da Namíbia, os cientistas achavam que as bactérias não podiam sobreviver mesclando enxofre e substâncias nitrogenadas.
Os cientistas vêm descobrindo nestes últimos anos bactérias vivas em regiões muitos hostis do planeta: na Antártica, nas profundidades do oceano e inclusive alguns quilômetros sob a terra.


