ReproduçãoCom equipamentos potentíssimos, astrônomos são capazes de escutar ao mesmo tempo milhões de frequências de rádio espaciais, identificando automaticamente qualquer transmissão de sinal coerenteDesde a década de 60, e com mais intensidade a partir de 1992, dezenas de cientistas de várias partes do mundo se empenham em vasculhar o espaço à procura de mensagens de outras civilizações. Com a ajuda de radiotelescópios potentíssimos, os astrônomos são capazes de escutar ao mesmo tempo milhões de frequências de rádio espaciais, identificando automaticamente qualquer transmissão de sinal coerente.
O problema é que, por mais avançado que seja o equipamento, o Universo consegue ser maior e fica difícil selecionar a preferência das emissões em, por exemplo, um trilhão de planetas. Em outubro de 1992, a Nasa reativou o projeto Pesquisas de Inteligência Extraterrestre, iniciado 32 anos antes, acionando um sofisticado multiprocessador de sinais de rádio capaz de ‘‘ouvir’’ dez milhões de diferentes frequências. O projeto foi cortado pelo Congresso dos EUA um ano depois. Atualmente, os astrônomos norte-americanos restringem sua procura aos projetos Phoenix, Serendip e Beta.
Para o pioneiro Frank Drake, o recebimento de uma mensagem das estrelas seria uma das maiores conquistas da ciência. Drake fez a primeira escuta em segredo, com medo de cair no ridículo, na tarde de 8 de abril de 1960, no equipamento de Green Bank, que entrava em operação. A tentativa durou poucas horas e não obteve sucesso, como previa o próprio Drake, devido às dificuldades envolvidas.
Já para o astrônomo Martin Ryle, a Terra poderia correr perigo, por causa desse expediente. Num artigo publicado em 1974 na revista ‘‘Nature’’, ele protestou contra uma mensagem de rádio enviada ao espaço pelo radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico. Segundo ele, esse tipo de mensagem ‘‘poderia indicar a posição da Terra para criaturas perigosas’’.
A crença na existência de seres extraterrestre passou a ser muito mais do que uma hipótese defendida por uma corrente de cientistas. Tornou-se um mito popular, alimentado principalmente pelos filmes de ficção científica. Pesquisas recentes comprovam que mais da metade da população americana acredita na vida extraterrestre.
Esforços ingênuos m 1900, os organizadores de um concurso promovido em Paris ofereceram um prêmio de 100 mil francos a quem provasse ter mantido contatos com seres extraterrestres. Segundo as publicações da época, Marte não valia, porque tinha-se a convicção de que esse planeta era habitado por uma raça mais inteligente do que as dos ‘‘terráqueos’’.
Foi o astrônomo norte-americano Percival Lowell quem lançou a tese de que Marte era habitado por seres inteligentes. Ele se baseou nas marcas que conseguiu ver na superfície, a partir de seu observatório em Fiagstaff, no Arizona, para concluir pela existência de canais semelhantes aos abertos para irrigação agrícola.
Nos dois últimos séculos, foram desenvolvidos outros esforços - hoje considerados ingênuos - visando a eventuais contatos com seres extraterrestres. O matemático alemão Karl F. Gauss (1777-1855), por exemplo, sugeriu o desenho de triângulos com culturas de trigo na Ásia Central que os alienígenas relacionariam ao teorema de Pitágoras. O astrônomo austríaco Joseph von Litrow (1781-1840) sugeriu que se cavassem canais preenchidos com querosene, incendiados à noite. Representando símbolos matemáticos, eles seriam avistados de outros mundos, pela teoria de Litrow.
Já o inventor francês Charles Cros (1842-1888) apostou na construção de espelhos gigantes que refletiriam a luz solar para Marte, que então se acreditava ser povoado por uma civilização avançada. E o inventor iugoslavo naturalizado norte-americano Nikola Tesla (1856-1943) sugeriu em 1900, pela primeira vez, o uso de ondas de rádio como forma de comunicação.
A crença na existência de seres extraterrestres já foi considerada uma heresia, na Grécia Antiga. Essa concepção passou a mudar depois que o sábio italiano Galileu Galilei, com base nas investigações feitas com seu telescópio, defendeu a tese de que os planetas eram mundos e, assim, deviam ser iguais à Terra. Segundo o pesquisador Eduardo Barcelos, a tese de Galileu foi popularizada no século passado pelo astrônomo francês Camile Flammarion.

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