Startups investem no mercado de drones
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quarta-feira, 09 de maio de 2018
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

A agricultura é uma área com grande potencial para o uso de drones. Prova disso é o surgimento de novos players no mercado de veículos aéreos não-tripulados (Vants), focados nesse segmento. A Positivo Informática, de Curitiba, investiu recentemente em uma startup formada por profissionais do setor aeronáutico, e detém 40% da companhia. O primeiro produto da Eleva é um drone para pulverização de plantações de alta performance e que pode ser utilizado no período noturno. Estudantes da USP de São Carlos dois deles de Londrina -, também desenvolveram um drone híbrido e de grande porte para atender a demanda do setor agrícola.
Estimativa da consultoria Gartner aponta que o mercado de drones pode chegar até US$ 11,2 bilhões em 2020. Apesar de a agricultura hoje não crescer no mesmo ritmo dos demais, o setor já foi considerado o maior mercado de drones para uso comercial e deverá crescer 7% até 2020, segundo a consultoria. Até maio, havia no Brasil 41.338 drones cadastrados na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), sendo 26.483 para uso recreativo e 14.855 para uso profissional. No Paraná, são 2.546 drones cadastrados. Em julho de 2017, dois meses depois da regulamentação da Anac para uso de drones, eram apenas 770 equipamentos cadastrados.
O uso de drones na pulverização de propriedades agrícolas é mais vantajoso que o uso de trator e de aeronaves, explica Luciano Castro, diretor executivo e um dos fundadores da Eleva. Os tratores amassam a plantação, compactam o solo, podem carregar pragas para outras áreas da lavoura e não chegam a lugares de difícil acesso. Já o uso de aeronaves envolve riscos operacionais, pois necessitam de pilotos. Os drones, por outro lado, não são tripulados e podem operar à noite. As aeronaves são restritas a operações diurnas.
O Vant da Eleva o Eleva Spray 150 - foi adaptado para as operações noturnas. O período da noite é mais favorável à pulverização, pois é quando a umidade é maior, a temperatura é menor, há menos vento e a planta tem mais facilidade de absorver os defensivos. "Determinadas pragas são de hábitos noturnos", acrescenta Castro, sem contar que, ao pulverizar à noite, o drone não prejudica insetos "do bem", como as abelhas.
O diretor afirma que a Eleva chega para atender um mercado com poucos competidores com equipamentos da mesma envergadura e capacidade de carga. Fabricantes presentes em solo brasileiro, como do Japão e da China, trazem produtos adaptados para atender às necessidades de lavouras menores, características de seus países. A equipe da startup é formada por profissionais brasileiros, conhecedores de aviação e da regulamentação brasileira para a operação de drones. "O drone foi todo construído nos moldes da aviação, concebido como se fosse um avião propriamente dito", destaca Castro.
Um dos fundadores é o vice-presidente de Mobilidade da Positivo Tecnologia, Norberto Maraschin Filho. A Eleva é a primeira startup de agrobusiness a receber investimento da Positivo Tecnologia. A ideia é que outros negócios do setor passem a receber investimento da empresa curitibana.
O protótipo da Eleva Spray 150 foi apresentado na Agrishow, que aconteceu de 30 de abril a 4 de maio em Ribeirão Preto (SP). Para o diretor Luciano Castro, a tendência é que cada vez mais o trabalho de pulverização, que é maçante, "sujo" e perigoso, seja substituído puramente por máquinas. Depois do desenvolvimento do protótipo, agora é momento de a startup ir ao mercado em busca de investidores com smart money que contribuam não só financeiramente, mas com conhecimento de mercado no setor do agronegócio. A oferta do produto da Eleva no mercado irá depender da velocidade em que virá o investimento, mas a expectativa é que isso aconteça entre 2019 e 2020, afirma Castro.
Marca chinesa aposta no País com abertura de lojas oficiais
A marca chinesa DJI abriu recentemente em Curitiba sua segunda loja autorizada no Brasil. A primeira foi aberta no Rio de Janeiro, três meses antes. A diretora de Marketing da marca, Cinzia Palumbo, afirma que o Brasil se mostrou um mercado "muito promissor", por isso o investimento no País. O Paraná, segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), é o quarto estado com maior número de drones cadastrados no órgão.
"De acordo com a Goldman Sachs, o mercado global de drones civis (excluindo militares) será responsável por US$30 bilhões até 2020, com espaço suficiente para crescer na próxima década", comentou Palumbo. "O Brasil é um mercado promissor em que esperamos que esse segmento cresça a um ritmo mais rápido nos próximos anos, graças aos seus grandes setores de agricultura, construção e energia."
O Mavic Pro, o Spark o Mavic Air são alguns dos principais produtos da DJI. O primeiro é um drone semiprofissional que captura vídeos em qualidade 4K, atinge velocidade máxima de 64,8 Km/h e tem autonomia de voo de 27 minutos. O Spark é um modelo mais de entrada que grava em full HD. O Mavic Air é anunciado pela marca como o drone mais portátil do mercado. Um dos recursos do modelo, chamado de APAS, evita obstáculos automaticamente e permite voar mesmo em ambientes mais complexos.
Portabilidade, qualidade de imagem, desempenho e inteligência de voo são os principais aspectos em que os drones da marca têm evoluído, diz a diretora de Marketing da DJI. "Dois anos atrás, a DJI foi a primeira fabricante de drones a introduzir a tecnologia de visão de computador de bordo em drones de consumo. A visão computacional permite que nossos drones reconheçam obstáculos, os evitem e voltem para casa automaticamente." Os drones também podem seguir um objeto ou uma pessoa em movimento de forma autônoma através de um modo de voo inteligente, chamado de Active Track. Um dos modelos da marca, o Spark, pode ser operado por gestos.


