SPAM? Direto para o lixo
Você já parou para pensar em quantas coisas boas pode ter jogado fora inadvertidamente apenas pelo hábito já arraigado de deletar aquele monte de spams da sua caixa postal? É o que se perguntava Sean Carton, sócio de uma desenvolvedora de soluções Web, num artigo publicado num site noticioso há algumas semanas.
Escrevia ele: Esta manhã, no trabalho, 67 das 92 mensagens em minha caixa de entrada eram o que eu considero spam. Não me interessa mais se vêm de operadores mal-intencionados ou de marqueteiros a quem dei minha permissão e depois não consegui mais sair de suas listas eu adquiri o hábito de deletar praticamente tudo que chega de pessoas desconhecidas. Sei que isso pode às vezes me prejudicar talvez haja, afinal, algum material que de fato me interesse mas estou sofrendo de sobrecarga de informação.
O estado a que chegou Carton mostra o lado mais perverso do trabalho dos spammers. Como se proteger disso? Em primeiro lugar, vale dar uma boa olhada na Rede e verificar os endereços dos sites (a absoluta maioria, em inglês) que lutam contra essa praga da era da informação .
O site do Mail Abuse Prevention System (Maps) é obrigatório, tanto para usuários quanto para provedores desavisados. Não custa nada ler a seção Internet Fundamentals, por exemplo, antes de criar ou integrar uma lista. A regra de ouro é clara como água: todo o tráfego de informação na Internet flui consensualmente, isto é, por acordo de todas as partes envolvidas. Daí deriva todo o resto.
As recomendações do Maps enfatizam, entre outras coisas, que: a) é essencial certificar-se da permissão do destinatário antes que ele receba qualquer e-mailing; b) o cancelamento de uma subscrição deve ser simples, e deve também haver vários métodos alternativos para obtê-lo; c) o volume de e-mails deve sempre levar em conta a capacidade do sistema receptor; e d) qualquer lista deve se ater apenas a seus propósitos originais. Recentemente, o spam foi tema de controvérsia na comunidade Web brasileira depois que o iG deu duas voltinhas pela RBL (Realtime Blackhole List, a lista dos veículos que têm grande quantidade de spam) do Maps.
Segundo Hermann Wecke, integrante do grupo SpamBr, uma dissidência do Movimento AntiSpam brasileiro, as duas passagens do iG pela lista negra não foram à toa. Spammers estão cada vez mais profissionais. Para militantes anti-spam, provedores devem ficar atentos à netiqueta e reforçar suas medidas de segurança Para Hermann Wecke, do grupo SpamBr, é provável que haja inclusive novas inclusões do provedor iG na lista negra: Considero que o iG está cavando seu próprio lugar no Hall of Shame da Web, diz. Eles fazem por merecer a primeira entrada no Maps (por sequer terem lido o e-mail de aviso) e a mais recente, por todos os motivos expressos no relatório (entre os quais se relata a reincidência de spammers mesmo após reforços dentro do provedor), no qual tive participação junto com o SpamBr, ligado à Abuse.Net, um dos mais respeitados serviços antispam nos EUA. Eles estão com um mega-spammer que está agindo livremente desde maio de 2000. Até hoje, nada foi feito para desligá-lo.
O diretor de tecnologia do iG, Luiz Alexandre Reali Costa, afirma que o provedor está tomando providências para evitar novos problemas com spam. E reconhece que o Maps está marcando sob pressão: Na verdade, o iG não entrou duas vezes na lista do Maps: a segunda foi um reflexo da primeira, pois fomos colocados numa espécie de estado de observação, em que os parâmetros são muito mais severos, explica. Basta que eles julguem que alguma coisa não está sendo feita, ou que ainda haja alguma reclamação para que você seja reinserido na lista sem protocolo nenhum.
Reali Costa reconhece que no início o iG tratou o problema de uma forma generalista e sequer tinha um setor para reclamações relativas a spam. Segundo ele, hoje este departamento está funcionando e os CPFs e números de telefone de todos os usuários (e os de terceiros usados no cadastro) estão sendo verificados. Também estão dando início a um recadastramento de seus internautas.As contas que não forem recadastradas logo serão desativadas, diz. Também trabalhamos muito no servidor de mails, limitando o número de mensagens por usuário em dado espaço de tempo. Os relays são fechados, não permitindo que usuários do iG mandem e-mails por nós quando conectados a outro provedor. E não há mais acesso anônimo; o usuário tem de se autenticar numa página Web ao entrar. Aliás, essa questão do acesso anônimo eu acho que se aplica a qualquer provedor, não só a nós.





