Somente a voz é humana
Apesar da grande inovação que já representam, os assistentes de voz ainda têm um longo caminho pela frente. "O grande problema dos assistentes de voz é que eles podem passar a impressão aos usuários leigos de que são como uma pessoa normal em uma conversa", observa o professor dos cursos de Ciência da Computação e Sistema de Informação do Centro Universitário Filadélfia (UniFil), Ricardo Inácio Álvares e Silva.
"Ou seja, o usuário leigo pode ter a percepção errada de que o assistente de voz consegue interpretar suas gírias e maneirismos, e corrigir suas frases sintática e semanticamente erradas", continua o professor. Na verdade, segundo ele, estes assistentes ainda possuem vocabulário limitado, e respondem satisfatoriamente a uma quantidade limitada de funções pré-programadas. "Por exemplo, a Siri tem cerca de 130 funções pré-programadas para o português, sendo que muitas delas são similares - umas 30 dessas funções envolvem procurar telefones na agenda, internet, e-mails e fazer telefonemas de formas diferentes."
Comandos
O professor da Universidade Positivo, Alexandre dos Santos, explica que os assistentes de voz atendem a comandos predefinidos, que devem ser encaixados em estruturas gramaticais preestabelecidas. "Eles ainda não têm um grande entendimento do que o usuário está falando." Por isso, é comum estas ferramentas não entenderem alguns pedidos ou perguntas do usuário dependendo da forma como elas são feitas.
"O que pode acontecer é o usuário ficar frustrado logo nas primeiras tentativas porque o assistente não consegue fazer o que ele quer. Como agravante, muitas vezes a assistente não informa que não entendeu, ela tenta fazer alguma coisa com aquele pedido do usuário, e acaba fazendo alguma coisa que ele não pediu", comenta Silva. Ele lembra que, certa vez, perguntou à Siri quando seria o próximo show de uma banda que gosta, e ela respondeu executando uma das músicas da banda que ele tinha no celular.
Desde que surgiram, entretanto, estes recursos já melhoraram muito em relação ao entendimento apesar da variedade de sotaques e maneiras de falar das pessoas, ressalva o professor Santos. "O entendimento do sotaque, do timbre, da entonação... Tem pessoas que comem letras, fazem contração de palavras. Isso está evoluindo." Ele acrescenta que os assistentes de voz "aprendem" a atender melhor os pedidos e as perguntas dos usuários com o tempo, e que tanto Siri quanto Google Now possuem nos seus Termos de Uso avisos sobre a coleta de dados de uso dos usuários para este aprendizado. No futuro, estas ferramentas também deverão ser integradas a outros objetos na chamada "internet das coisas", algo que já acontece com os relógios inteligentes.(M.F.C.)





