Solução pode estar na terapia genética
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quarta-feira, 30 de julho de 1997
Cleide Cavalcante Agência Estado 
Mario CesarSobrevivênciaNão há cura para a diabetes e os portadores precisam tomar até quatro injeções diárias de insulina para manter a doença sob controleCientistas das universidades americanas de Michigan e Chicago conseguiram localizar a região em que se encontra o gene causador da diabetes melito e, agora, tentam uma nova experiência que, se for bem-sucedida, abrirá caminho para a cura da doença, por intermédio da terapia genética. O objetivo da nova etapa das pesquisas é isolar o gene. De qualquer forma, a descoberta já representa um grande passo, segundo o boletim da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, pois os pesquisadores já sabem em que área de um cromossomo específico o gene se encontra.
Em artigo publicado pela ANC, o professor de Medicina da Universidade de Chicago, Graeme Bell, afirma que esta descoberta confirma a importância da herança genética no surgimento da diabetes. Segundo a Associação para a Diabetes dos Estados Unidos, as novas pesquisas abrem caminho para se entender melhor a influência genética no aparecimento da diabetes e, com isso, crescem as esperanças de se pensar na possibilidade de cura pela terapia genética, ou seja, a substituição de um gene defeituoso por outro.
Estudos como esse dão novas esperanças a cerca de 60 milhões de pessoas que sofrem de diabetes em todo o mundo (seis milhões no Brasil). Segundo a Academia Nacional de Ciências dos EUA, o pioneiro nesses estudos é o professor Stefan Fajans, da Universidade de Michigan, que acompanhou a história médica de cinco gerações de uma só família. Ele examinou 275 pessoas dessa família e concluiu que pelo menos 40 delas tinham a doença.
Outras pesquisas Há muitas outras pesquisas em andamento, em vários países. Ainda nos Estados Unidos, está sendo usado um tipo de exame de sangue que identifica anticorpos associados à diabetes, permitindo, com isso, que crianças propensas à doença possam fazer um tratamento preventivo. Outra experiência que tem dado resultados positivos nos últimos cinco anos é a de um pâncreas artificial feito com um tubo de plástico cheio de células reprodutoras de insulina. Implantado no abdômen de cães diabéticos, o pâncreas produziu insulina durante seis meses e meio.
Também foi desenvolvido um spray nasal por pesquisadores do Hospital Radcliffe, em Oxford, na Inglaterra, e que começou a ser produzido por um laboratório da Dinamarca. Segundo as pesquisas, esse spray ajuda também a reduzir a necessidade do diabético de se alimentar várias vezes ao dia, para evitar a queda da taxa de açúcar no sangue a níveis perigosos.
O médico Leão Zagury, autor do livro Diabetes Sem Medo, diz que, no caso da diabetes do tipo 2, a substância metformina, no mercado brasileiro desde 1995, é a que tem dado melhores resultados, por tornar mais eficaz a ação da insulina no organismo. Foram desenvolvidas, também, pesquisas que levaram a Associação Americana de Diabetes a concluir que, mais do que a fonte dos carboidratos, é a sua quantidade que causa alterações no nível de açúcar no sangue. Neste caso, a adoção de uma dieta balanceada mais flexível pode até permitir o consumo de pequenas quantidades de doces - desde que seja feito um monitoramento pelo médico. Nada pode ser feito sem o conhecimento do especialista, adverte a Associação, mesmo porque tais procedimentos ainda estão na fase de experiência.
Planta e exercícios Na cidade paulista de Capão Bonito, o agricultor Takashi Kakihara cultiva uma planta que, para alguns pesquisadores, também pode ajudar no tratamento da diabetes. É o yacon, parecido com a batata-doce e que mereceu citação na revista japonesa Engue-Shekai, especializada em plantas. Segundo a revista, experiências com essa planta feitas num laboratório de Tóquio indicaram que ela tem cálcio, fósforo, ferro, vitaminas A, B e C, açúcar, água e fibra. Experiências feitas no tratamento de uma mulher de 58 anos indicaram uma queda de 50% na taxa de diabetes, em dois meses.
Em Campinas, o professor de Fisiologia da Unicamp, Miguel Arcanjo Areas, desenvolveu um trabalho comprovando que uma dieta rica em polpa de laranja seria a solução para a diabetes provocada por hábitos alimentares inadequados. ele levou cinco anos para fazer suas pesquisas e usou ratos como cobaias. Também têm sido desenvolvidas pesquisas no Rio de Janeiro, para se detectar até que ponto a cebola poderia ajudar no tratamento da diabetes.
Ainda no Rio, pesquisadores do Instituto de Educação Física e Desportos da UERJ desenvolveram um programa especial de exercícios para reduzir a necessidade de insulina em pacientes dependentes dessa substância que processa o açúcar. Já os cientistas franceses e israelenses desenvolvem pílulas de insulina, que facilitariam ainda mais a vida dos diabéticos.


