Enrique Guzmán de Acevedo
France Presse
De Madri
Um dia, dentro de cerca de cinco bilhões de anos, ‘‘o Sol se apagarᒒ, mas isso não representará o fim do mundo, segundo anunciou em Madri o cientista espanhol Cayetano López, ao apresentar sua obra ‘‘Universo sem Fim’’ – às vésperas de um novo milênio, uma voz de reflexão sobre os tempos futuros.
O homem deverá ‘‘aprender a viver’’ sem o Astro-Rei, sendo possível que nesses tempos ‘‘o homem consiga se mudar para perto de alguma outra estrela próxima’’ para sobreviver melhor, disse o cientista.
O Sol pode se apagar, mas ‘‘não será o fim do mundo’’, assegura.
Doutor em Ciências Físicas, Catedrático de Física Teórica na Universidade Autônoma de Madri e ex-Reitor da mesma (1985-94), Cayetano López baseia suas afirmações em profundas investigações científicas, reprovando com uma ‘‘antipatia total’’ todos aqueles que têm feito ‘‘irresponsáveis premonições sobre o fim do mundo’’. ‘‘Não creio em nenhuma destas premonições. Nenhuma tem fundamento’’, disse categoricamente.
Entre estes ‘‘charlatães e profetas apocalípticos’’, o cientista inclui o costureiro Paco Rabanne – que há três meses anunciou a destruição de Paris durante o último eclipse do Sol – e Nostradamus, que tampouco acertou em sua profecia sobre o fim do mundo para julho de 1999.
‘‘Tive a desgraça de ler as famosas previsões de Nostradamus’’ – confessou o autor –-, mas me permitiram comprovar que, se houve um vidente iluminado ‘‘não era confiável’’, pois ‘‘escreveu coisas sem sentido’’.
Em ‘‘Universo sem Fim’’, Cayetano López resume todas as premonições feitas desde a noite dos tempos sobre o fim do mundo, antes de descrever o que se sabe sobre o fim do Universo como um todo, e sobre o destino de nossa galáxia.
Otimista, o autor não acredita na autodestruição da raça humana, mas garante que um dia o ‘‘Sol se apagarᒒ, sem que o Universo deixe de continuar seu movimento de expansão. Segundo ele, o Sistema Solar ‘‘tem data de validade’’ e, quando o nosso Sol se esgotar como estrela, ‘‘em cerca de cinco bilhões de anos’’, a Terra será ‘‘inabitável’’, pois não haverá mais água, nem em forma líquida, nem em forma de vapor na atmosfera.
‘‘O Sol está na metade de sua vida útil, desde quando começou a iluminar a Terra – há cerca de 4,5 bilhões de anos –, e pouco a pouco está esgotando seu poder de criar sua própria energia’’, um poderoso combustível nuclear que gera nada menos que 15 milhões de graus de temperatura, explica o cientista.
‘‘Estamos vivendo o Equador da vida do Sol. Sua agonia pode ser complicada e curta. Quando já não tiver esse combustível próprio, se apagarᒒ, afirmou antes de dizer que, sem o calor do Sol, a temperatura da Terra baixará ‘‘até 200 graus centígrados negativos’’, onde a vida ‘‘será impossível como a conhecemos hoje’’.
‘‘A Terra é frágil porque é um pequeno planeta, sujeito a forças inimagináveis ao ser humano, que podem ser deflagradas pelo Sol, os planetas gigantes ou outras estrelas. Ela também está sujeita a acidentes que podem provocar uma verdadeira hecatombe nos equilíbrios términos, geológicos ou vitais’’, explica.
‘‘Mas todas as agressões procedentes do espaço não conseguiram acabar com o status da Terra como planeta vivo, 4,5 bilhões de anos depois de seu nascimento e 3,8 bilhões de anos depois do aparecimento dos primeiros microorganismos’’, diz.

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