Da Redação
Os benefícios da soja para a saúde humana são tradicionalmente conhecidos entre os orientais. Agora, o potencial terapêutico da soja acaba de ser oficializado no Ocidente, pelo FDA (agência americana que regulamenta o comércio de alimentos e medicamentos).
Em documento publicado no dia 20 de outubro, o FDA afirma que os produtos contendo proteína de soja podem reduzir os níveis de colesterol sanguíneo e diminuir os riscos das doenças coronarianas. A agência americana se baseou em estudos científicos para confirmar que a inclusão diária de 25 gramas de proteína de soja (o equivalente a 60 gramas de soja ou meia xícara de chá) na dieta alimentar pode prevenir a ocorrência de doenças vasculares.
Testes clínicos confirmaram que o consumo de soja pode reduzir os níveis de colesterol total e do colesterol LDL, constituído por lipoproteínas de baixa densidade, que são responsáveis pelo acúmulo de colesterol nas artérias do sistema cardiovascular.
O documento emitido pelo FDA autoriza ainda as indústrias de alimentos que utilizam proteínas de soja a usar o ‘‘health claim’’, um rótulo informando sobre as propriedades da soja para a saúde. O rótulo poderá ser utilizado nos alimentos que contenham, pelo menos, 6,25 gramas de proteínas de soja, ou seja, da necessidade diária recomendada.
O FDA determina ainda que os produtos rotulados tenham baixo teor de gordura saturada e baixo conteúdo de colesterol em sua composição e, também, não possuam gordura adicionada a não ser aquela presente na própria soja.
O cardiologista Mário F. de Camargo Maranhão, presidente da Federação Mundial de Cardiologia, é um grande incentivador do consumo da soja entre seus pacientes. ‘‘Realmente propago essa idéia, porque a soja ajuda a controlar os níveis de colesterol e previne doenças crônicas’’, defende. ‘‘No sistema cardiovascular a soja interfere no metabolismo das gorduras, reduzindo o colesterol total, inclusive diminui o ‘mau’ colesterol (LDL) e aumenta a quantidade do ‘bom’ (HDL)’’.
Maranhão explica que a soja é fonte de ômega 3 (tipo de substância que tem efeito protetor nas doenças cadiovasculares) e de isoflavonas (substância que atua de maneira protetora na camada íntima que recobre as artérias). Por isso, a soja tem efeito benéfico na prevenção da aterosclerose e da trombose, que são processos de obstrução das artérias.
As mulheres na menopausa também podem se beneficiar da dieta com proteína de soja, por ser rica em fitoestrógenos. Essa substância colabora com a prevenção da osteoporose, porque ajuda a fixar cálcio, necessário para o fortalecimento dos ossos.
O cardiologista diz que estudos realizados no Japão e China, países que utilizam muito a soja em sua dieta alimentar, mostram que os índices de doenças coronárias e de câncer de mama e de próstata são muito pequenos, quando comparados aos números dos países industrializados.
‘‘Os descendentes de japoneses que moram no Hawai ou Califórnia, por exemplo, onde o consumo de soja é menor e há outros fatores de risco, possuem a mesma possibilidade de desenvolver doenças crônicas que os ocidentais. Isso comprova que a questão não é racial, mas sim de estilo de vida’’.
Por isso, o cardiologista aconselha as pessoas a buscarem uma vida saudável. A receita de saúde inclui a diminuição do consumo de cigarro, o controle do estresse com técnicas de relaxamento, yoga e meditação, os cuidados com a hipertensão, a obesidade e o colesterol, além da manutenção de uma dieta alimentar equilibrada. ‘‘A soja poderá atender às necessidades nutricionais da população do novo milênio’’, defende. ‘‘Com a explosão demográfica, prevista no planeta, a soja será importante fonte de proteína’’, defende.
Segundo José Marcos Gontijo Mandarino, pesquisador da Embrapa Soja, na área de alimentação humana, o documento emitido recentemente pelo FDA vem ao encontro do trabalho da empresa na divulgação do papel da soja na prevenção de doenças crônicas.
Há 13 anos, a Embrapa Soja desenvolve atividades para incentivar o consumo de soja pela comunidade. Inclusive, em 95, a instituição lançou o programa ‘‘Soja na Mesa’’, cujo principal objetivo é mostrar o potencial nutritivo da soja, assim como seus efeitos terapêuticos.
A instituição mantém uma Cozinha Experimental, onde são elaboradas receitas à base de soja e também, desenvolvidas técnicas de preparo. Eliminar o gosto característico do produto e tornar a soja adaptada ao paladar do brasileiro é bastante simples.
‘‘A soja nunca deve ficar de molho em água fria, porque isso acentua o seu gosto. A indicação é para que as pessoas utilizem o choque térmico: colocar os grãos em água fervendo por cinco minutos; lavá-los em água fria e depois cozinhar e utilizar o material no preparo de diferentes produtos’’, ensina Mandarino. Essas e outras técnicas são transferidas pelos especialistas da Embrapa Soja, por intermédio de cursos e treinamentos.
Já estão no mercado algumas opções de produtos à base de soja. O leite de soja e a proteína vegetal texturizada - PVT - (carne de soja) são facilmente encontrados em supermercados. Os grãos são vendidos em feiras livres e casas de produtos naturais. A farinha de soja, matéria-prima para produção de bolos, tortas, biscoitos e pão também pode ser encontrada em lojas especializadas na venda de produtos naturais. Para obter mais informações visite a homepage da Embrapa Soja: www.cnpso.embrapa.brFDA reconhece o potencial terapêutico do produto para prevenir doenças e baixar o nível do colesterol
ReproduçãoIngestão diária de meia xícara de chá soja pode prevenir a ocorrência de doenças cardiovascularesDivulgaçãoMário Maranhão, presidente da Federação Mundial de Cardiologia, recomenda a soja para baixar o colesterolDivulgaçãoMercedes Panizzi, da Embrapa: pesquisa genética para melhorar a proteína da soja

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