A indústria brasileira do software brasileira possui algumas vantagens competitivas capazes de fazer do país um grande fornecedor do produto, tanto interna quanto externamente. Essa é a avaliação do diretor de gestão de inovação do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), Eduardo de Andrade Bernal.
O diretor do CPqD esteve semana passada, em Londrina, participando de palestra sobre ‘‘Desenvolvimento de Software: Tecnologias e Tendências’’, durante o I Seminário Internacional de Software para Telecomunicações, promovido pelo programa Londrina Tecnópolis.
Segundo Bernal, as vantagens começam já na formação da mão-de-obra para o setor. ‘‘Os profissionais brasileiros são bem formados e são muito criativos, o que é essencial nesse segmento’’, destacou. O que falta é uma aproximação maior das instituições de ensino com as empresas, para que o aluno tenha mais contato com a prática da profissão. De acordo com Bernal, para desenvolver o setor é preciso que haja uma ‘‘ponte entre universidades e empreendedores’’. Tudo isso, visando também ampliar o acesso a novas tecnologias.
As soluções nacionais criadas são muito bem vistas pelas empresas e acabam tendo grandes chances de penetração no mercado. ‘‘O Brasil tem se dado bem nos vários segmentos e no setor de telecomunicações temos grandes soluções’’, afirmou Bernal. O CPqD, por exemplo, desenvolveu uma solução para o setor de teles que está sendo usada no mercado norte-americano com alto grau de satisfação.
As ações oficiais no fomento da consolidação do setor, na opinião do diretor do CPqD, também têm ajudado. Sobretudo a Lei de Informática, que está trazendo indústrias e gerando empregos de maior teor tecnológico. ‘‘As políticas de software, a Lei de Informática e as políticas de incentivo de um modo geral, estão fortalecendo o segmento (de software) e são fundamentais’’, disse. Por outro lado, essas iniciativas incrementam a pesquisa e o desenvolvimento de novas soluções em softwares. Os núcleos regionais de tecnologia, como o que vem sendo implantado em Londrina através do programa Londrina Tecnópolis, ressalta Bernal, também são importantes porque permitem ‘‘a sinergia entre empresas de diferentes segmentos’’.
No campo das tendências do setor de software, o especialista em inovação destaca as soluções de rede com transmissão remota de voz, dados e imagem. ‘‘São soluções que buscam a mobilidade completa de forma a se ter portabilidade total do acesso a esses serviços. A interação neste cenário convergente fica muito mais rica’’.
O grande desafio, cita Bernal, é disseminar o acesso através de uma universalização dos serviços para a população, inclusive os serviços governamentais. E dá a dica: ‘‘o que é preciso é gerar conteúdo mais direcionado à população.’’

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