Software nacional é competitivo
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de março de 2001
Luciano Augusto De Londrina 
A indústria brasileira do software brasileira possui algumas vantagens competitivas capazes de fazer do país um grande fornecedor do produto, tanto interna quanto externamente. Essa é a avaliação do diretor de gestão de inovação do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), Eduardo de Andrade Bernal.
O diretor do CPqD esteve semana passada, em Londrina, participando de palestra sobre Desenvolvimento de Software: Tecnologias e Tendências, durante o I Seminário Internacional de Software para Telecomunicações, promovido pelo programa Londrina Tecnópolis.
Segundo Bernal, as vantagens começam já na formação da mão-de-obra para o setor. Os profissionais brasileiros são bem formados e são muito criativos, o que é essencial nesse segmento, destacou. O que falta é uma aproximação maior das instituições de ensino com as empresas, para que o aluno tenha mais contato com a prática da profissão. De acordo com Bernal, para desenvolver o setor é preciso que haja uma ponte entre universidades e empreendedores. Tudo isso, visando também ampliar o acesso a novas tecnologias.
As soluções nacionais criadas são muito bem vistas pelas empresas e acabam tendo grandes chances de penetração no mercado. O Brasil tem se dado bem nos vários segmentos e no setor de telecomunicações temos grandes soluções, afirmou Bernal. O CPqD, por exemplo, desenvolveu uma solução para o setor de teles que está sendo usada no mercado norte-americano com alto grau de satisfação.
As ações oficiais no fomento da consolidação do setor, na opinião do diretor do CPqD, também têm ajudado. Sobretudo a Lei de Informática, que está trazendo indústrias e gerando empregos de maior teor tecnológico. As políticas de software, a Lei de Informática e as políticas de incentivo de um modo geral, estão fortalecendo o segmento (de software) e são fundamentais, disse. Por outro lado, essas iniciativas incrementam a pesquisa e o desenvolvimento de novas soluções em softwares. Os núcleos regionais de tecnologia, como o que vem sendo implantado em Londrina através do programa Londrina Tecnópolis, ressalta Bernal, também são importantes porque permitem a sinergia entre empresas de diferentes segmentos.
No campo das tendências do setor de software, o especialista em inovação destaca as soluções de rede com transmissão remota de voz, dados e imagem. São soluções que buscam a mobilidade completa de forma a se ter portabilidade total do acesso a esses serviços. A interação neste cenário convergente fica muito mais rica.
O grande desafio, cita Bernal, é disseminar o acesso através de uma universalização dos serviços para a população, inclusive os serviços governamentais. E dá a dica: o que é preciso é gerar conteúdo mais direcionado à população.


