Você se sacode acordado, tremendo, no meio da noite, com aquele mesmo pesadelo. Os ‘‘caras maus’’ penetraram nos computadores do Pentágono. Eles agora controlam as instruções do arsenal nuclear dos Estados Unidos e dominam o mundo ocidental, pedindo resgate. A menos que suas exigências sejam atendidas em 24 horas, a destruição cairá sobre Washington, Nova York, Paris e Londres.
Isso é apenas a imaginação febril de jovens escritores de roteiros de Hollywood? Ou aqueles que planejam a defesa têm justificativa para gastar grandes somas de dinheiro para combater um possível perigo? De acordo com especialistas entrevistados pela ‘‘Reuters’’, você pode relaxar. O negócio é muito mais Hollywood do que um fato verdadeiro.
Alguns conhecedores dizem que as companhias que tentam vender os mais novos programas de segurança estão explorando estes medos. Outros dizem que os governos, preocupados com o panorama da queda da arrecadação com os impostos conforme mais negócios são feitos através da Internet, estão felizes em jogar com isso também. Se o medo do terrorismo puder ser mantido, os governos terão uma desculpa para conseguir mais poder e regular o comércio na Internet.
Filmes como ‘‘Sneakers’’, no qual um hacker interpretado por Robert Redford rouba um aparelho que quebra códigos e que pode entrar em qualquer computador do mundo, levou a multidões a noção de que um perigo sério existe.
Alguns planejadores de defesa e partes da mídia pularam sobre essa popularidade sugerindo que os Estados Unidos e o Oeste precisam se proteger do perigo potencial e devastador da guerra cyber.
Isso pressupõe que terroristas ou governos perigosos podem, em teoria, quebrar qualquer segurança, travar uma batalha dentro dos computadores contra superpoderes e ganhar, usando a guerra cyber.
‘‘Teoricamente, essa é a palavra certa’’, disse Peter Sommer, um dos principais pesquisadores da Escola de Economia de Londres. Penetrando e manipulando a confusão das redes é possível causar terríveis problemas, de acordo com Sommer.
‘‘Para atingir um grande sistema é preciso saber como ele funciona, qual é o backup dele, é preciso muita quantidade de informação’’, disse Sommer. ‘‘É preciso infiltrar alguém na organização. Seria necessário saber como escrever o código e introduzir ele no sistema. Eu não digo que não pode ser feito, mas para efeitos rápidos seria mais fácil colocar uma bomba’’.
Andrew Rathmell, do Centro Internacional de Análises de Segurança no Kings College, de Londres, disse que os sites militares representam um alvo difícil para terroristas. Mas as chamadas técnicas de guerra de informações podem em teoria infligir grandes prejuízos a infraestruturas civis, como grades de energia, trens e transportes aéreos, bem como as telecomunicações.
Rathmell diz que os sistemas financeiros estão bem protegidos, mas devido à crescente interdependência, o efeito dos danos à infraestrutura seria difícil de prever. ‘‘Ataques à infraestrutura podem ter o efeito de um bombardeio estratégico. Não é preciso mais passar pelas forças armadas para atacar civis. Você pode ir pela rede’’, disse Rathmell.
‘‘Mas o que nós podemos realmente fazer? É tudo muito improvável. Sistemas-chave para lançar armas nucleares e de telecomunicações na Casa Branca estão bem protegidos. Apenas um serviço secreto bem sintonizado podia penetrar lᒒ, disse Rathmell.
Ross Anderson, do laboratório de computação da Universidade Cambridge, também duvida do poder desta ameaça, apesar do apelo do presidente Bill Clinton contra o cyber terrorismo feito dia 22 de maio. ‘‘A guerra de informações parece ser mais um exercício de marketing do que outra coisa. É a comunidade de seguranças para computadores tentando aumentar as vendas para o governo federal dos Estados Unidos’’, ele disse.

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