Ao fundar o famoso Wikileaks, Julian Assange colocou em prática a ideia dos cypherpunks. As pessoas que enviam, voluntariamente, as informações expostas no portal, podem ser até mesmo de dentro da própria empresa denunciada, mas têm sua identidade preservada por meio de criptografia.
"Eu acredito que a criptografia seja um meio muito seguro para protegermos as nossas informações", opina Bruno Zarpelão, do Departamento de Computação da UEL. "Vamos supor, então, o cenário no qual uma empresa guarda seus dados e estes dados estão cifrados. Se o governo quiser acessar estes dados, pedirá à empresa. Se a empresa tiver acesso à sua chave secreta, ela pode abrir seus dados para o governo. Se a empresa não tem acesso à sua chave secreta, o governo terá que descobrir a sua chave, o que, definitivamente, não é fácil", explica.
Segundo o advogado Fernando Peres, consultor em Direito Digital, na legislação brasileira, um usuário pode não ser obrigado a fornecer estas chaves. "O cidadão não é obrigado a produzir provas contra si, e o fornecimento de uma senha de criptografia em uma investigação pode ter essa caracterização."
O uso da criptografia para a proteção de informações, tanto pessoais quanto corporativas, não é ilegal, observa Peres. "Na verdade, o uso de criptografia até mesmo nos computadores pessoais é altamente aconselhável. Todo usuário que se preocupa com a proteção de dados pessoais ou de sua empresa deve utilizar a criptografia como proteção." (M.F.C.)

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