Chamavam-se ‘‘As Cibernéticas’’. Arquitetas, analistas de sistemas, jornalistas, com 20, 40 anos de idade. Volta e meia, em suas conversas, falavam de que? Então resolveram entrar na Internet para pôr na berlinda o seu prato favorito: homens. Nasceu o Banheiro Feminino, um dos primeiros sites brasileiros feitos por elas e para elas.
Andrea Evora Cals, arquiteta, 35 anos – ‘‘corpo de 34’’, ela brinca – é o geniozinho do site. Até alguns meses atrás fazia de tudo: bolava o conteúdo, redigia e cuidava da direção de arte. O Banheiro cresceu e agora Andrea tem uma equipe de 12 pessoas, incluindo colaboradores.
O site recebe 50 mil pageviews por dia e foi considerado pelo Ibest, o Oscar da Internet tupiniquim, o melhor site feminino de 2000. O sucesso tem segredo. Qual é? ‘‘É falar de igual para igual e com muito bom-humor, o que acaba criando uma identificação instantânea’’, ela esclarece.
É um caminho. Mas há outros ainda não descobertos. Um dilema para os criadores de sites femininos que parecem não saber exatamente como chegar mais perto de seu público. ‘‘O que está se fazendo é adaptar a mídia impressa ao universo da Internet. Não é o correto’’, alerta Beto Ribeiro, gerente de conteúdo do Americanas.com, que lançou o Mulher Atual. Ele mesmo ainda está procurando os ingredientes para preparar o prato ideal.
O nome, em princípio, não cai bem como título de produto editorial feminino: Obsidiana. Mas a justificativa dada por Sônia Dulá, presidente mundial do site, é razoável. ‘‘Obsidiana é uma pedra de origem vulcânica. Simboliza a beleza, a sabedoria, a mudança, o amor e a coragem’’, ela explica.
Qualidades femininas, sem dúvida. O site é bem a cara das revistas impressas do gênero. Mas persegue um objetivo interessante: trabalhar em cima de tendências. Um dos projetos é uma TV dentro do site, o que deve aumentar os 4 milhões de pageviews alcançados mês passado, somente no Brail.

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