Site reúne as cicatrizes da Terra
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de agosto de 1997
Liana John Agência Estado 
ReproduçãoHomepage mostra o estado dos recursos naturais da região amazônica e o ritmo de agressão praticado pelo homemAgricultura, poluição, crescimento populacional, desastres ambientais, desmatamento. Estas são algumas das marcas da humanidade, visíveis sobre a superfície da Terra, aos olhos dos satélites de sensoriamento remoto. As imagens destas feridas ambientais estão agora reunidas num site organizado pelo U.S Geological Survey, chamado Earthshots (http://edcwww.cr.usgs.gov/Earthshots1.00). A visita é obrigatória para os ambientalistas e deveria estar também nos bookmarks das autoridades governamentais, com poder de decisão sobre políticas de conservação ambiental e de prevenção da poluição.
Bem organizada e com explicações acessíveis a estudantes de segundo grau, a viagem pela superfície da Terra pode seguir a orientação temática - agricultura, cidades, desertos, desastres naturais, desastres produzidos pelo homem, florestas e corpos dágua - ou geográfica. Entre as áreas geográficas, figura uma única localidade brasileira em destaque: Rondônia (incluindo Ariquemes), com seu padrão inconfundível de desmatamento irracional. Da floresta, o viajante pode ir para os desertos da Mauritania ou verificar as marcas da salinização no Mar Aral, no Cazaquistão. Ou visitar a irrigação milenar nas margens do Nilo, no Egito. Ou percorrer as inúmeras zonas urbanas de Beijing, na China.
Em outras localidades, como San Antonio, Texas, além da imagem de satélite há um programa disponível para cópias (download), para exercitar a capacidade de internauta de interpretar e manipular a imagem do satélite à sua maneira.
Olhos na TerraDá trabalho acessar remotamente todo este material, mas a paciência leva o internauta a uma viagem orbital, com os olhos voltados para a Terra. Só fica faltando a sensação de microgravidade dos ônibus espaciais, mas a falta é compensada pela vantagem de se evitarem as colisões com pedaços de naves e os riscos de isolamento numa estação orbital desabastecida.
Earthshots também é o nome de uma biblioteca virtual em CD-Rom (http://www.digiwis.com/dwiesd.htm), com um catálogo disponível para cópias (download) via Internet. O CD-Rom foi elaborado pela Digital Wisdom, com o propósito de vender mapas de alta qualidade, fáceis de usar em publicações, relatórios, multimeios e homepages. Cada mapa - produzido com base em imagens de satélite e cartografia plana tradicional - foi colorizado por computador com até 250 cores e tons diferentes, numa das melhores demonstrações da capacidade gráfica dos computadores. São 70 temas e um total de 250 cartas disponíveis.
Para os interessados em imagens mais brasileiras, do desmatamento da Amazônia e das pesquisas realizadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE (http://www.inpe.br), o ponto de partida é a página Amazonia from Space (http://www.dpi.inpe.br/grid/quick-looks). Ali se encontra um mapa da região amazônica, feito por um mosaico clicável, que conduz a imagens do satélite norte-americano Landsat. As imagens não tem legendas nem alta definição, mas servem para dar ao internauta uma outra perspectiva do estado dos recursos naturais amazônicos, desde que ele saiba reconhecer minimamente as formas visíveis (rios, cerrados, fazendas, cidades, etc).
Quem ainda não chegou neste estágio de intimidade com o satélite, pode optar por um tutorial mais didático, feito para visitantes de língua inglesa, também no site do INPE. Monitoring Amazonia by Satellite (http://www.dpi.inpe.br/Amazonia/home) traz textos genéricos sobre o monitoramento ambiental, sobre a Amazônia e seus ecossistemas, explica como é feito o sensoriamento remoto e traz alguns mapas do desmatamento, comentados. Não há uma versão em português, mas os brasileiros com vontade de se aprofundar um pouco mais nos números e na maneira de se avaliar os desmatamentos na Amazônia devem optar pelo tutorial do PRODES (http://www.dpi.inpe.br/prodes/home), o nome do programa de avaliação do desmatamento. A apresentação também é didática, em português, com mapas digitais já interpretados. Ali se mostra, por exemplo, como o satélite enxerga as áreas indígenas, as minerações, os grandes desmatamentos, as áreas de ocupação esparsas, o garimpo e outros temas relacionados às atividades humanas na Amazônia.


