Sistema une famílias do Brasil e Japão
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quarta-feira, 20 de agosto de 1997
Iara Lessa Londrina 
Cesar AugustoRose Mary Dias Costa, Zilda e Eudes Guimarães Soares: pais de Patrícia e Emerson: Pena não poder dar um abraço nelesDo lado de cá do mundo, em Londrina, as pessoas se amontoavam em volta do estande da Embratel durante a Feira de Informática e Tecnologia, que terminou no último domingo, para ver a tal videoconferência. Em um espaço mais reservado, destinado às famílias que iriam falar com o parentes e amigos em Nagóia, a expectativa era grande. A comunicação, em tempo real, possibilitaria ver e falar com as pessoas do outro lado do planeta, como em um desenho animado dos Jetsons. A ficção tornava-se realidade.
Na primeira noite, quinta-feira, dentro da cabine, depois de uma ligeira cerimônia entre autoridades dos dois países, o circo estava armado. Lágrimas se misturavam a cobranças de mais notícias em frente ao monitor de televisão com a câmera embutida, que através do sistema digital transmite sinais (sons e imagens) de alta qualidade pela rede telefônica - como um DDI - só que esses sinais são decodificadas pelo computador. Esse dispositivo tecnológico já é bastante usado por empresas que realizam conferências, debates e cursos em mais de um local ou País.
Cesar AugustoPatrícia e Emerson em NagóiaDo lado de fora do aquário da Embratel as pessoas colavam seus rostos no vidro e tentavam imaginar o que os teleconferencistas estavam sentindo. Para os incrédulos jovens Anderson Castro e Rogério Lemos de Oliveira, aquilo tudo era uma armação. Será mesmo que estão falando com pessoas no Japão? perguntavam. Já a dona-de-casa Maria Angélica de Souza disse que sabia que isto um dia ia acontecer, mas não imaginava que estaria viva para ver as pessoas falarem umas com as outras dessa forma. Falar pelo telefone e ainda poder ver a pessoa, é uma coisa incrível. Quando será que vai dar para ter um desses em casa?, perguntava interessada.
Cesar AugustoAs pessoas do lado de fora se amontoavam para ver a comunicação entre dois países tão distantesTambém espantada com a rapidez dessa forma de comunicação era a jornalista Flávia Lúcia Bespalhoqui. Flávia viveu durante mais de três anos no Japão acompanhando o marido que fazia mestrado em melhoramento de plantas. Foi no Japão que nasceu o filho Mateus, hoje com um ano e meio. Flávia esperava sua vez para falar com amigos brasileiros que estão morando em Nagóia. A jornalista se diz antenada com a tecnologia e está mais do que acostumada a utilizar E-mails. Mas essa era sua primeira participação em uma videoconferência. Todo mundo que assistiu a desenhos animados ou já pensou um pouco sobre o telefone imaginava que isso iria acabar assim, um aparelho onde se pode falar e ver as pessoas ao mesmo tempo. O que eu não podia imaginar é que seria tão rápido.
Fiquei completamente emocionada em poder ver e falar com minha filha, pena que não deu para dar um abraço, mas é melhor do que telefone, definiu Rose Mary Dias Costa, mãe de Patrícia, que veio ao estande da Embratel acompanhada dos pais do genro Emerson, Zilda e Eudes Guimarães Soares. Patrícia e Emerson estão no Japão há apenas quatro meses e engrossam o cordão dos dekasseguis (imigrantes que vão em busca de trabalho no país dos ancestrais) que, de acordo com o Centro de Imigração do Japão, já chega na casa dos 170 mil brasileiros. Ainda segundo o órgão, 35% deles são de Londrina e região Norte de Paraná - em torno de 70 mil estão em Nagóia. Eles, como Patrícia e Emerson, vão vencendo as dificuldades e saudades do jeito que dá. Agora estamos esperando outra oportunidade dessa para falar novamente com eles, diz cheia de saudades a mãe de Patrícia.


