Sistema diminui custos com treinamento
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de maio de 1997
Agência Estado 
A Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (Andima) desenvolveu uma rede fechada com características de Internet para seus associados, a RTM (Rede de Telecomunicações para o Mercado).
No fim de 95, antes de se ouvir falar em intranet, a diretoria da Andima já preparava uma rede de alta velocidade (ninguém acessa a menos de 64 Kbps), por onde trafegassem informações financeiras e que fosse fácil de ser usada. Segundo Paulo Sampaio, superintendente-geral da Andima, a idéia era ligar as instituições financeiras entre si, formando o que está sendo chamado de extranet (uma intranet entre empresas).
A RTM entrou em funcionamento em fevereiro e já tem 40 instituições ligadas a ela. Os dados estão armazenados em um servidor Netra da Sun, com o pacote da empresa para intranet e um servidor com o programa Folio, que faz a interface para o banco de dados Web. Este, por sua vez, funciona em Windows NT. Para explorar a rede, os clientes podem usar Netscape Navigator ou Microsoft Internet Explorer.
A intranet é a maquiagem da informação. É assim que o diretor de Tecnologia da Informação da Volkswagen América do Sul, Carlos Roberto Boschetti, define esta que, segundo ele, é uma pequena parte da rede da empresa. Sua opinião sobre as vantagens desta interface não é diferente da de outros diretores de informática. O treinamento é rápido, barato e fácil.
Como todas as redes que envolvem linhas de montagem e alta tecnologia, os dados da empresa se concentravam em um mainframe. Com o divórcio entre a Volks e a Ford, no fim de 95, a criadora do Fusca tinha de começar a caminhar pelas próprias pernas. O primeiro passo foi reformular a estrutura da rede de forma a priorizar as informações e não os dados.
Partiu-se então para uma rede com estações de PCs 486, Pentium e até poderosas Silicon Graphics ligados a sistemas Unix AIX, da IBM, a sistemas específicos para desenhos de carros e a Windows NT. Tudo isto sobre uma base de dados Oracle, que permite a transformação dos dados para o padrão de Internet.
Assim, mesmo que um engenheiro tenha de se ligar ao sistema para fazer o download de um gráfico, ele irá acessar a rede com um navegador, o Microsoft Internet Explorer. Os servidores Web rodam o Internet Information Server (IIS), também da Microsoft.
Hoje, dos 2,5 mil PCs da rede, aproximadamente 1,8 mil têm acesso à intranet. Só na instalação de servidores Web, programas de navegação e treinamento, foram gastos US$ 700 mil. Isto sem contar a base da rede, que inclui escritórios e linhas de montagem em diversas cidades brasileiras e em Córdoba, na Argentina. Quem não investir em infra-estrutura e cabeamento de rede nunca terá uma boa intranet, avisa Boschetti.
Os integrantes da intranet da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) já estão vivendo uma nova fase, com a transição da versão tradicional do Notes para o servidor Domino, da Lotus, que facilita a inserção de dados, dando agilidade para os usuários que também alimentam a rede com informações. Nosso objetivo era ligar não apenas máquinas, mas principalmente pessoas, e por isso investimos em treinamento e disseminação da cultura Internet, conta o vice-presidente da Fiesp Horácio Piva. Ele conta que a ferramenta mais usada tem sido o correio eletrônico. Mas já estamos realizando conferências em rede.


