"As lojas estão se tornando showrooms para o comércio virtual." A fala é de Jorge Toledo, diretor de produtos CRM (Customer Relationship Manager) da Oracle para a América Latina. Este efeito, em que o consumidor olha o produto na loja física, mas pesquisa os preços na internet para saber se compensa comprar on-line ou fisicamente, passou a ser conhecido como showrooming. E mostra como reinventar a forma de atendimento e entrar no meio mobile se tornou uma necessidade para o varejo.
Nos Estados Unidos esta já é uma prática recorrente que preocupa os varejistas tradicionais. O consumidor chega a entrar na loja com um smartphone ou tablet na mão fazendo a comparação de preços em tempo real. A consultoria IDC afirmou, em pesquisa, que cerca de 48 milhões de compradores, ou quase 20% da população adulta dos EUA, deve se utilizar desta prática no Natal de 2012, número 134% maior que o do ano passado.
A empresa Deloitte prevê que nesta data festiva as vendas influenciadas pelo meio mobile chegarão a 5,1%, totalizando US$ 36 bilhões (no montante estimado de novembro de 2012 a janeiro de 2013 nos EUA). A prática deve afetar 80% do varejo norte-americano, afirma ainda a empresa de investigação Edgell Knowledge Network.
A sugestão da Deloitte, entretanto, não é repelir o consumidor que entra na loja com um smartphone na mão e sim acolhê-lo. Afinal, estes consumidores "armados" com dispositivos móveis conectados à internet são 14% mais inclinados a comprar na loja física que aqueles que não utilizam um celular inteligente na sua ida às compras, diz ainda o estudo. E estes mesmos canais on-line podem ser utilizados pelos varejistas para conhecer melhor os seus clientes.
De acordo com Rodrigo Borer, vice-presidente de Comparação de Preços do Buscapé Company – empresa de serviços que compara preços, existem dois movimentos acontecendo em relação à pesquisa de preços pela internet. Um, já um pouco antigo, é do consumidor que faz a pesquisa pela web e leva as informações à loja física a fim de negociar. Outro é o contrário: do consumidor que vai à loja física para ver o produto, mas compra pela web.
Recentemente, o Buscapé lançou uma nova funcionalidade que possibilita o consumidor fazer a compra on-line do produto que pesquisou no site, de qualquer dispositivo. O intuito é abocanhar esta fatia de consumidores que vai à loja conhecer o produto mas quer comprar virtualmente.
Seguindo esta segunda tendência, Borer prevê que, em um futuro próximo, comecem a aparecer no varejo lojas físicas que são, na verdade, showrooms, principalmente para produtos de grande porte como móveis, eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Nestes showrooms, o cliente pode ver e testar os produtos, mas efetiva a compra pela internet. Estas lojas poderão até mesmo disponibilizar meios de o cliente fazer a compra no local, usando a plataforma virtual. "O fato de a loja ter o produto à disposição (para testes) fortalece a relação com o consumidor."
O showroom seria um meio-termo entre o varejo virtual e o tradicional e representa redução de custos em relação ao comércio convencional. "Não precisa de estoque. Só precisa de um espaço para expôr os produtos. Não precisa de caixa registradora, backoffice, embalagem, caixa, só de um especialista para apresentar os benefícios, vantagens do produto", enumera Borer.
Por outro lado, o vice-presidente diz não acreditar que esta tendência deverá "matar" o varejo tradicional. "Tem categorias que você quer levar o produto embaixo do braço e o custo de armazenamento é pequeno. Quando você vai aos EUA e países da Europa, vê o encolhimento de redes de lojas físicas, mas ao mesmo tempo o varejo tradicional continua sendo forte."

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