Admita: existem em seu computador muitos textos, manuscritos e documentos que você gostaria de manter em sigilo. Relatórios comerciais, mensagens de correio eletrônico trocadas na privacidade do espaço cibernético, estatísticas empresariais, endereços e, talvez, cartas de amor - tudo aquilo que poderia lhe trazer embaraços e problemas se caísse em mãos estranhas.
E como a maioria das pessoas faz para proteger sua privacidade de olhos indiscretos? Com uma senha, é claro. Lamentavelmente, porém, com a maioria dos programas de proteção funcionando mediante senha, continua sendo muito fácil o acesso não autorizado a dados confidenciais.
‘‘A abertura do código não representa problema algum em caso de dados protegidos por uma senha’’, diz Herman Apfelboeck, redator-chefe da revista alemã de computação PC Welt.
Textos confidenciais e mensagens eletrônicas criados no computador, em geral, não estão suficientemente protegidos. Se seu chefe lhe pergunta se você não está mais satisfeito em trabalhar na empresa é possível que o pedido de emprego que você enviou a outra firma tenha caído em mãos de algum colega seu, mesmo que você o tenha protegido com uma senha.
‘‘Todos por cujas mãos passa seu correio eletrônico - desde o administrador de um computador servidor até um ‘hacker’ - estão em condições de lê-lo’’, diz Michael Lasky, analista da revista norte-americana PC World.
Proteção mediante senha ou codificação de dados é um mecanismo habitualmente incluído em muitos programas. ‘‘Todo programa processador de textos ou de planilhas de cálculos pode fazê-lo’’, diz Apfelboeck. Mas geralmente essa proteção se revela ineficaz.
‘‘Por exemplo, as senhas do Word da Microsoft ou de sua planilha de cálculos Excel podem ser violadas com extrema facilidade’’, diz Frank W. Felzmann, matemático da agência federal alemã de segurança de tecnologia da informação (BSI). ‘‘A Microsoft só melhorou o mecanismo de proteção nas últimas versões - o Word 97 e o Excel 97’’, afirma ele.
Até um leigo em computação pode decifrar uma senha. Segundo Felzmann, ‘‘há na Internet muitos programas que, em questões de segundos, podem decodificar uma senha’’.
A maioria desses programas foi criada para revelar as senhas da Microsoft porque são os aplicativos mais usados. Mas existem também abridores de senhas para aplicativos de outras empresas’’, diz o matemático alemão.
Muitos fabricantes de software estão adotando agora medidas para preencher este vazio e, segundo Felzmann, ‘‘já existem no mercado programas que oferecem proteção adequada’’. Estes aplicativos são usados depois de criado o arquivo que se quer proteger.
É difícil se violar uma boa proteção de senhas. ‘‘A única forma de romper essa proteção é tentando possíveis combinações de letras e números, e isso, naturalmente, tomaria muito tempo’’, explica ele.
Mas as senhas invioláveis têm também seu lado frágil, como quando nos esquecemos delas ou as deixamos ao alcance de pessoas mal intencionadas. ‘‘É preciso lembrar que a codificação é uma faca de dois gumes’’, adverte Felzmann. ‘‘Se você quer proteger sua casa de ladrões trancando-a por dentro terá dificuldades de entrar em seu próprio lar’’.
Na verdade, é muito difícil recuperar uma senha que se tenha perdido. Há empresas especializadas na recuperação de senhas mas, levando-se em conta que, para fazê-lo, é necessário usar supercomputadores especializados em decodificação, a solução pode sair muito cara.
‘‘Um computador normal levaria semanas ou meses de trabalho ininterrupto para completar os cálculos necessários para recuperar uma senha’’, assinala Felzmann.
Mas há outros métodos para impedir o acesso dos arquivos de uma empresa a pessoas não autorizadas. Pode-se evitar que o usuário leia arquivos proibidos. O acesso restrito não é um problema para redes de computadores de uma empresa já que a rede pode ser configurada de tal modo que cada empregado tenha acesso apenas a determinados arquivos.
Finalmente, o método tradicional é o melhor para proteger arquivos delicados: copie-os em um disquete e leve para casa. E cuidado para não esquecê-lo no táxi.

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