Setor financeiro é um dos mais avançados
O economista Ricardo Amorim, que já trabalhou em diversas instituições financeiras do mundo, também participou do Ciab 2013. Ele falou um pouco sobre as transformações da economia brasileira e seu impacto no mercado financeiro.
De acordo com o economista, o setor financeiro está muito mais avançado do que outros nichos, como a indústria, por exemplo. "Isso aconteceu porque a inflação de décadas passadas forçou uma modernização do segmento financeiro. Hoje, por exemplo, uma compensação de cheque no Brasil é muito mais eficiente do que em qualquer parte do mundo", comparou.
Ele também fez uma análise do cenário econômico que o Brasil vive e praticamente descartou, baseado em estudos recentes de sua empresa, a Ricam, bolhas imobiliária ou de crédito no País. "Apesar dos PIBs ruins do ano passado e deste primeiro trimestre de 2013, nos últimos dez anos ele cresceu 4,2%, enquanto nos Estados Unidos, Europa e Japão, a ascensão média foi de 1,1%."
Para Amorim, a situação positiva se deve mais a um cenário global que, "por sorte", beneficiou o Brasil, do que uma estratégia do governo para que isso acontecesse. Um dos principais fatores foi o ingresso da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001. De lá para cá, segundo ele, o Brasil vem numa explosão de crescimento. "Nos últimos anos houve a migração de 400 milhões de chineses para a cidade, ávidos por consumo e, claro, comida, que antes eles mesmos produziam no campo. Desde que a China ingressou na OMC, houve um aumento absurdo na importação de matérias-primas para aquele país, o que é muito favorável ao Brasil."
O economista intitula este movimento de "pororoca econômica", já que o Brasil está a favor da maré, em situação de pleno emprego e com muitas pessoas "ajudando a remar este barco" e estimular a economia. Amorim ainda considera que esta maré deve continuar favorável para o Brasil durante um tempo considerável, já que o Banco Mundial estima que o processo de urbanização e industrialização chinês esta só no início, com a expectativa de mais 300 milhões de pessoas deixando o campo e indo em direção às cidades. Só para se ter uma ideia, uma cidade média chinesa tem por volta de 5 milhões de habitantes. "Depois da China, virá a Índia com este mesmo movimento de migração e certamente atingindo patamares econômicos bem similares aos chineses." (V.L.)





