Empresas de Tecnologia da Informação (TI) do Paraná investem na vinda de estudantes e profissionais de outros países e profissionais daqui veem com bons olhos a possibilidade de trabalhar no exterior. Segundo informações da Aiesec - plataforma internacional de intercâmbio - de Curitiba, dez estudantes e profissionais da área de TI já vieram ao Paraná entre 2005 e 2012 pelo programa de intercâmbio da entidade, que dura um ano e meio. Eles vieram de países como Áustria, Colômbia, Índia, Rússia, Finlândia, México e Estados Unidos. Recentemente, a Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação do Paraná (Assespro/PR) assinou um convênio para intensificar ainda mais a vinda destes profissionais ao Paraná.
Empresa da área de games em Londrina, a Oktagon teve a oportunidade de trazer um profissional indiano da área de Marketing para trabalhar. Sirach Mendes ficou um ano em Londrina e teve de retornar ao seu país de origem devido ao período limitado de intercâmbio, mas continuou a trabalhar com a Oktagon à distância. Em breve, ele deve voltar a Londrina com visto de trabalho, onde será contratado pela empresa.
Apaixonado por games, Mendes contou que quando viu a oportunidade de trabalhar com esta área no Brasil, não pensou duas vezes ao tomar o avião rumo à América do Sul. ''A indústria do videogame não é tão grande na Índia como no Brasil'', justifica. ''As companhias brasileiras estão bem próximas da América do Norte, que é o maior mercado de games. A economia do País é muito dinâmica e suporta o empreendedorismo, o que é muito importante para a criação de empregos e para o mercado internacional'', completa. No país asiático, ele diz que o setor de TI é dominado por serviços de suporte e de outsourcing.
Sócio-fundador da Oktagon, Eduardo Moya conta que a experiência com um estrangeiro no time abriu portas para o mercado externo: rendeu novos clientes e um investidor que fez a companhia transferir sua sede para o Rio de Janeiro.
Da área de software e consultoria em Maringá, a empresa DB1 recrutou dois intercambistas - um norte-americano e um indiano - que acabaram de retornar aos seus países de origem. O indiano contribuiu para a implantação da primeira fábrica da empresa fora do país, na Índia, afirma Ilson Rezende, diretor da DB1. O intercambista, hoje contratado pela filial da empresa na Índia, é quem foi na frente para buscar espaço e colaboradores no seu país de origem. ''O setor de TI é o único que está melhorando a economia da Índia, e crescendo 20% a 25% a cada ano. Em um raio de quatro quilômetros da filial da DB1 na Índia você vai encontrar Microsoft, Oracle, Assenture, Tata Consultancy Services, IBM e muitas outras'', observou o intercambista Devendra Ratnaparkhi.
Para Ivan Chagas Pedroso, diretor de Relações Externas e Públicas da Aiesec Curitiba, hoje existem cerca de 800 vagas na área de TI e quase 2 mil jovens cadastrados no sistema à procura de oportunidades. Mas a demanda de estrangeiros que desejam vir ao Brasil é maior do que de brasileiros querendo ir para fora. O Brasil é visto como um país que se encontra em um momento econômico estável e tende a prosperar ainda mais. Já o Paraná é reconhecido pelas suas boas universidades e qualidade de vida.
Do outro lado da fronteira, as empresas do exterior veem o brasileiro com bons olhos. ''Elas veem o brasileiro do setor de TI como um profissional muito diferenciado por ser criativo, sem deixar de lado a qualidade do processo, por ser ágil, de resposta rápida a problemas'', afirma Pedroso.
Benefícios
O intercâmbio de profissionais na área de TI só pode trazer resultados positivos, afirma o presidente da Assespro/PR, Sérgio Yamada. Entre outros pontos, ele destaca o contato mais próximo com a cultura dos países envolvidos e com profissionais especializados. ''Dependendo do nível e evolução do setor no país de origem do intercambista, ele pode trazer esta cultura de desenvolvimento para o Brasil.''

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