Serviços de TI devem migrar para a nuvem
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quarta-feira, 15 de julho de 2015
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
São Paulo - Cerca de US$ 2,069 trilhões são gastos todo ano pelas companhias de todo o mundo. Mas apenas 18% é utilizado para inovação. Os restantes 82% são direcionados para a manutenção dos sistemas já em uso. O número foi um dos muitos que Mark Hurd, CEO de uma das principais empresas de hardware e software corporativos do mundo, a Oracle, utilizou para ilustrar a situação do uso da Tecnologia da Informação (TI) no mundo em um evento da companhia, o Oracle Open World Latin America 2015, que aconteceu em São Paulo no final de junho.
Estes números, na visão de Hurd, refletem na sobrevivência das empresas. Das 500 empresas top listadas pela revista Fortune em 1990, apenas 30% sobreviveram. Daquelas listadas em 2000, apenas 50% permaneceram.
No cenário em que as companhias hoje atuam, as pessoas também mudaram, continua Hurd. Já chegaram ao mercado de trabalho os chamados "millenials", que representarão 50% da força de trabalho em 2020. Destes, 86% preferem gastar mais por uma experiência melhor, mas 99% têm suas expectativas frustradas. Como resultado, eles trocam a empresa que lhe ofereceu uma má experiência por um competidor.
A aposta da companhia global para as novas tecnologias da informação são os serviços baseados na nuvem, em que dados, hardware, software e outros são detidos por provedoras como a Oracle e o cliente realiza a contratação destes recursos como serviço pelo período e na proporção que desejar, sem a necessidade da aquisição de software ou de equipamentos. Uma das vantagens disso, segundo a apresentação de Hurd, é que estes serviços e dados ficam acessíveis de qualquer lugar.
Os serviços baseados em nuvem oferecidos pela empresa incluem dados (Data as a Service), software (Software as a Service ou software como serviço), infraestrutura (Infrastructure as a Service ou infraestrutura como serviço) e uma plataforma horizontal que integra mobilidade, conteúdo e colaboração, tecnologia analítica, gerenciamento empresarial, gerenciamento de dados, desenvolvimento de aplicativos e integração (Platform as a Service ou plataforma como serviço). Este ano, a Oracle está lançando mais de 24 novas soluções nestes segmentos no mercado de TI. Isso significa, nas palavras de Hurd, que quase a totalidade (95%) dos serviços oferecidos pela empresa estão sendo "reescritos" para a nuvem.
No quarto trimestre do ano fiscal de 2014, a receita da companhia com a nuvem chegou a US$ 579 milhões e o crescimento no próximo ano fiscal está estimado em 60%. Segundo o CEO, 75% das aplicações atualmente em uso em todo o mundo são altamente customizáveis e extremamente inflexíveis.
Para dar suporte aos serviços de Software as a Service (SaaS) da Oracle, está previsto para agosto deste ano um data center da empresa a ser inaugurado em Campinas (SP). A infraestrutura será adicionada a outros 19 data centers da companhia em outras partes do mundo, que têm hoje a capacidade de armazenamento de 500 petabytes. No último um ano e meio, a Oracle contratou 1,2 mil pessoas na América Latina, e deverá contratar outras 500 este ano. O valor do investimento no data center brasileiro não foi informado.
Sobre o receio da segurança das informações das empresas na nuvem, Hurd respondeu que hoje a companhia global é "expert em gerenciamento de dados e em segurança de dados". Ele acrescentou que os dados dos seus clientes são criptografados na nuvem. "Historicamente, sempre quisemos criptografar os dados, mas os sistemas ficavam lentos. Prejudicava o desempenho, não era prático." Com o desenvolvimento e a compressão dos recursos de memória, entretanto, desempenho deixou de ser um problema, ele afirma. "Podemos agora criptografar sem perder em performance."
Isso também acarreta que, quando os dados de um cliente são solicitados pelo governo, por exemplo, as informações são cedidas com criptografia, e quem tem a "chave" para descriptografá-las é o próprio cliente. "Enviamos um set de arquivos criptografados. Os dados ficam altamente seguros na nossa nuvem."
- A jornalista viajou para São Paulo a convite da Oracle


