SERVIÇO PÚBLICO - e-Gov muda a relação entre governo e cidadão
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Mie Francine Chiba <br> Reportagem Local 
A Tecnologia da Informação e da Comunicação (TIC) também atinge a administração pública com avanços no que tem sido chamado de governo eletrônico, ou e-Gov, que nada mais são do que serviços de instituições governamentais que são disponibilizados através da internet. Exemplo clássico é a entrega do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF). Mas a votação eletrônica e o processo de digitalização do poder judiciário também podem ser mencionados.
Apesar dos avanços, dados da Pesquisa TIC Governo Eletrônico, realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br) em 2010, mostra que apenas 35% utilizavam efetivamente os serviços. A maioria - 60% - ainda preferia o atendimento presencial. E a demanda é grande: 56% afirmaram que, se tivessem a possibilidade, utilizariam o canal eletrônico para os serviços do governo.
Uma cooperação entre Brasil e Reino Unido tenta recolocar em pauta o governo eletrônico no País. Com a ajuda da empresa E-Stratégia Pública, de São Paulo, governos de 15 unidades federativas do Brasil estão recebendo apoio do Reino Unido para acelerar o ritmo de amadurecimento do e-Gov no País em um projeto batizado de Agenda i-Brasil 2015. A meta é tornar eletrônico todos os serviços prestados pelo governo até janeiro de 2015.
O Paraná está entre os estados que trabalham nesta cooperação. Estava planejada inclusive uma visita da diretora da E-Stratégia Pública, Florência Ferrer, que também é doutora em Sociologia Econômica pela Universidade de São Paulo (USP), a Curitiba para reuniões com o governo paranaense e a Companhia de Informática do Paraná (Celepar).
Parte do trabalho de cooperação foi realizar um diagnóstico do nível de maturidade de todos os estados participantes. Florência ressaltou que os quatro Estados mais bem posicionados no Brasil são Espírito Santo, Paraná, Sergipe e Rio de Janeiro. Mas ressalva que, no geral, o Brasil está ''muito mal''. ''A média não chega nem a metade.''
Florência lembra que o Brasil foi um dos países pioneiros a implantar o governo eletrônico, mas ficou para trás ao dar prioridade a investimentos em hardware e software, quando na verdade a solução é muito mais simples: atender o cidadão. Na opinião da diretora, o País gasta mais do que precisa e não obtém resultados.
Ela recorda que, quando iniciou a implantação do governo eletrônico, os portais misturavam informações de governo e serviços. Hoje, já avançaram para portais diferentes: um para informações do governo, outro para serviços. São Paulo, Minas Gerais e o Paraná já são assim.
No entanto, Florência diz que ainda há muito o que fazer. Isso porque, no modelo utilizado atualmente, pressupõe-se que o cidadão conhece a distribuição dos serviços entre federal, estadual e municipal. No Reino Unido, por exemplo, o governo transformou seu portal de serviços em uma espécie de buscador, que leva o cidadão ao sítio que ele precisa.
Sobre as perspectivas para o fortalecimento do governo eletrônico no Brasil, Florência afirmou que é preciso colocar novamente o tema no centro de debate político. ''Quando o cidadão exige, aí se faz, porque é fácil de fazer. Governo eletrônico não é uma opção, é uma condição.''



