Uma pesquisa em desenvolvimento no Núcleo de Estudos e Pesquisas em Produtos Naturais (Nepron), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), está tornando totalmente reciclável a serragem cromada, sub-produto do curtimento de couro hoje descartado pelas empresas do setor. O grande avanço da pesquisa no Nepron é a obtenção de uma proteína com 95% de pureza, a partir da serragem cromada. O processo consegue recuperar ainda o cromo, produto químico utilizado no curtimento do couro, e busca viabilizar o uso do resíduo da serragem.
Agora o Nepron procura parceiros para viabilizar a utilização do material reciclado a nível comercial. ‘‘Existe mercado para os três sub-produtos obtidos a partir da serragem cromada’’, explica o professor Silvio Claudio da Costa, pesquisador do Nepron. Ele diz que a pesquisa para a reciclagem da serragem cromada não é novidade. Como o cromo é tóxico, sempre existiu a preocupação dos curtumes na destinação final do resíduo. ‘‘As próprias empresas do setor podem se beneficiar da pesquisa, montando unidades para processar a serragem’’, afirma Costa.
Para cada tonelada de serragem, é possível retirar 30% do volume em proteína e 4% de cromo. A proteína, com 95% de pureza, pode ser aplicada na alimentação humana ou animal e na formulação de cosméticos. ‘‘Como a proteína obtida a partir da serragem cromada é colagênica, pode ser utilizada em diversos produtos de tratamento pessoal, como tinturas, loções e shampoos’’, diz Costa. O cromo, produto químico utilizado no processo de curtimento, também pode ser totalmente reciclado.
Viabilidade Os pesquisadores do Nepron analisam agora a aplicação do resíduo da serragem, material rico em proteínas e sais minerais. Alguns componentes existentes no resíduo já são utilizados na adubação do solo, com bom aproveitamento de nutrientes pelas plantas. ‘‘Conseguimos uma recuperação total do produto, eliminando os riscos de degradação ambiental apresentadas pela serragem cromada’’, explica Costa.
A pesquisa, segundo ele, não busca apenas as vantagens comerciais, através da utilização dos sub-produtos da serragem. ‘‘O principal neste caso é a reciclagem de um material poluente, que até agora apenas gera despesas para os curtumes’’, explica. Uma pele de animal pesa em média 25 quilos e pelo menos 21% é formada por resíduos, sendo 4% de aparas e 17% de serragem e pó de lixa. Através do reaproveitamento do material descartado, a média de resíduos será até cinco vezes menor.
Para o professos Silvio Costa, um dos maiores obstáculos da pesquisa está na busca da viabilidade econômica para os produtos alcançados. ‘‘O ideal seria as empresas do setor atuando em parceria com o Nepron, dando continuidade aos projetos de pesquisa’’, afirma. Ele explica que cada curtume poderia ter uma unidade de reciclagem, reaproveitando o cromo no processo de curtimento e os demais sub-produtos como forma alternativa de renda.

mockup