Marcelo AlmeidaO professor José Domingos Fontana, coordenador da pesquisa: ‘‘As substâncias isoladas nas sementes impedem as células de respirar e, com isso, a multiplicação delas se inviabiliza.’Sementes de frutas como graviola, araticum e fruta-do-conde poderão servir no tratamento de tumores cancerígenos. Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão trabalhando no desenvolvimento de medicamentos a partir de substâncias encontradas nas sementes. Ainda não há uma previsão sobre o término do trabalho.
As pesquisas estão sendo realizadas no Departamento de Bioquímica do Setor de Ciências Biológicas da UFPR. Segundo o professor José Domingos Fontana, coordenador da pesquisa, os testes realizados in vitro com conjuntos de células deram resultados satisfatórios. ‘‘As substâncias isoladas nas sementes impedem as células de respirar e, com isso, a multiplicação delas se inviabiliza’’.
A idéia consiste em isolar ácidos graxos modificados das sementes, componentes venenosos também conhecidos como acetogeninas. A UFPR também já enviou amostras das substâncias a laboratórios europeus, onde estão feitos testes em animais.
Uma das principais dificuldades, segundo o professor, é preparar um medicamento que possa ser absorvido pelo organismo humano, já que os componentes são muito gordurosos.
Inseticida A mesma substância também poderá ser aplicada como praguicida ou inseticida natural nas lavouras agrícolas. ‘‘O produto pode matar tanto uma praga, uma minhoca ou borboleta quanto uma célula, utilizando o mesmo mecanismo’’, explica José Domingos Fontana. Os pesquisadores já fizeram testes contra lagartas do trigo e da soja.
O trabalho está sendo viabilizado por meio de recursos do Centro Brasil-Argentina de Biotecnologia. Até agora, já foram aplicados cerca de US$ 100 mil. ‘‘É uma pesquisa ao alcance da universidade brasileira’’, comenta o coordenador da pesquisa.
Ele disse que um grupo norte-americano também está desenvolvendo uma pesquisa similar, com os mesmos tipos de sementes, mas que ainda não há um produto consolidado. ‘‘Estamos competindo diretamente com eles. Se um grupo brasileiro não se manifestasse, os americanos poderiam desenvolver mais um produto a partir de uma matéria-prima encontrada aqui’’, comenta.

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