Satélites ajudam no controle ambiental
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de dezembro de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
Reprodução
Imagem captada pelo satélite Landsat TM (acima) mostra região do Lago de Itaipu. As imagens enviadas pelo Inpe aos técnicos do Paraná correspondem à bacia de abastecimento do reservatório de Itaipu, no extremo Oeste do Estado
Imagens feitas pelos satélites Landsat TM, da Nasa e Spot - operado por um consórcio europeu liderado pela França - lançados na década de 80 vão servir a projetos de melhor administração do solo, readequação do crescimento e produção agrícola na região Oeste do Paraná. As imagens, tiradas a cada 16 dias pelo Lansat TM e a cada 26 dias pelo Spot, serão enviadas para um sistema montado dentro da Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste - (leia texto nesta página). As novas imagens serão comparadas com as que estão no arquivo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
De acordo com a Itaipu Binacional, que patrocina parte do projeto, estas imagens vão permitir a análise do uso do solo, desmatamento irregular em áreas de preservação e até ocupações feitas por sem-terra na região. Elas serão analisadas por técnicos e estudantes no Laboratório de Geoprocessamento instalado no campus da Unioeste em Cascavel, que assinou convênio com a Itaipu Binacional e o Inpe.
Os técnicos acreditam que, através das interpretações das imagens fornecidas pelos satélites, poderão ser feitas estimativas mais precisas das safras. De acordo com o diretor do Coordenação da Itaipu, José Luiz Dias, as fotos vão mostrar o mapeamento agrícola, perfil de pastagens, devastação, erosão nas margens do reservatório da usina e até o crescimento das cidades, já que a região Oeste registra uma dos maiores explosões urbanas do País.
As áreas de preservação da Itaipu estão sob controle, mas nós não sabemos como está a situação em outras áreas - afirma Dias. Ele informa que o convênio não tem nenhuma intenção de detectar invasões de áreas por sem-terra na região através de fotos tiradas por satélites, apesar do sistema permitir esse trabalho.
As imagens feitas pelo Landsat TM e Spot são bem menores que as do Geosat, satélite que faz a previsão meteorológica e tem uma resolução de um metro quadrado por um milhão de metros quadrados. Isso significa que cada 1 milhão de metros quadrados fotografados se transformam em um metro quadrado de imagem.
O sistema que será utilizado pela Unioeste e técnicos da Itaipu permite resolução máxima de um metro para 250 mil metros quadrados. No entanto, o gerente do Departamento de Planejamento Regional da Itaipu, engenheiro Elias Absy, coordenador do trabalho, diz que vai utilizar uma resolução um pouco menor, em torno de 50 mil metros quadrados por um metro, para obter melhores condições de visualização.
As imagens enviadas pelo Inpe aos técnicos do Paraná correspondem à bacia de abastecimento do reservatório de Itaipu, área no extremo Oeste do Estado situada no triângulo formado pelos municípios de Guaíra, Foz do Iguaçu e Cascavel. O lago de Itaipu tem 170 quilômetros de comprimento por 7 quilômetros de largura e forma uma orla de 1.400 quilômetros na Costa Oeste do Estado.
Banco de dadosAbsy explica que o objetivo fundamental do projeto é a elaboração de um banco de dados que vai permitir o monitoramento ambiental e agrícola da região, além de alertar os municípios em relação a erros de ocupação de solo. Com as imagens feitas pelos satélites e os arquivos já existentes será possível redimensionar o uso do solo e otimizar a produção agrícola - explica Absy.
De acordo com o engenheiro, a utilização de imagens de satélites para monitoramento é uma alternativa bem mais econômica que as fotos feitas por câmeras instaladas em aviões. Embora as fotos aéreas sejam mais precisas, as imagens obtidas pelos satélites atenderão às necessidades de informação de quem administra e de quem planeja a região - pondera. Em média, cada imagem deve custar cerca de US$ 2 mil. Porém, o mais caro, segundo Absy, é o trabalho de correção e interpretação das imagens que será feito no laboratório da Unioeste.


