Thaís Russomano
Especial para a Agência Estado
Ao longo da história, as informações acumuladas sobre a Lua dão conta de que que ela se move caprichosamente, com o mesmo tempo de rotação (movimento sobre seu eixo) e o de translação (movimento ao redor da Terra), o que permite que sempre mantenha uma face oculta. Sua órbita elíptica varia 406.700 a 356.400 km de distância da Terra.
A superfície da Lua tem cerca de 36 milhões de quilômetros quadrados, menos que a área das Américas. Além de pequena, a Lua é leve, pois seriam necessárias 81 luas para equilibrar o peso da Terra. Seus dias duram 15 dias terrestres e o Sol aquece sua superfície até 120 graus centígrados. As noites, tão longas quanto os dias, são gélidas, com uma temperatura de 150 graus negativos.
Apesar das diferenças, o nosso satélite natural sempre atrai a atenção dos cientistas. Mesmo oferecendo sérios entraves ambientais à sua colonização pelos seres humanos, a Lua tem grandes possibilidades de se tornar, ao longo do século XXI, uma econômica e revolucinária base de lançamento de naves espaciais.
Porém, sabe-se que, se os homens lá aportassem sem nenhuma proteção, morreriam em poucos segundos. A Lua não tem ar, porque não tem atmosfera. Se, apavorados, os astronautas tentassem gritar por socorro, ninguém ouviria seus apelos, pois no vácuo o som não se propaga. Coberta de pó, extremamente seca e desértica, os únicos sinais de vida na Lua são as marcas deixadas pelas botas dos 12 astronautas americanos que, entre julho de 1969 e dezembro de 1972, recolheram amostras de seu solo nas missões do projeto Apolo.
Sem oxigênio livre, não há corrosão, nem oxidação. Assim, os materiais lá deixados na Lua voltariam a operar com novas baterias. Sem nuvens, não há chuvas. O satélite, no entanto, é bombardeado por micrometeoritos, corpúsculos formados de várias substâncias (silicatos, carbonos ou metais) e que vagueiam pelo Sistema Solar a uma velocidade de 40 mil km/h, com dimensões que chegam até um milímetro.
Sem o filtro atmosférico, os ventos solares e as radiações vindas do espaço agridem seu solo. Sem a umidade e a pressão na sua superfície, a pele resseca e o corpo incha até desmanchar. A gravidade é seis vezes menor que a de nosso planeta, o que acarreta diversas alterações orgânicas.
Para contornar essas disparidades entre a Terra e a Lua, só há uma maneira: construir ‘‘lares lunares’’, verdadeiras redomas capazes de recriar o ambiente terrestre. Protegidos, assim, dos micrometeoritos, das radiações, das variações de temperatura, da ausência depressão atmosférica e da umidade, da falta de oxigênio e de água, os habitantes do mundo da Lua teriam ainda que sobreviver.
Isto é, produzir alimentos, criar energia e manter comunicação com os terrestres. O primeiro passo seria importar da Terra oxigênio e gás carbônico para as plantas, criando uma biosfera artificial, onde homens e vegetais se nutririam mutuamente. A criação de energia não seria tão complicada, já que existe energia solar de sobra na Lua. A ausência de atmosfera propicia uma insolação ampla e constante, pelo menos durante as duas semanas de dia lunar. Durante a noite, deixando de lado o uso de usinas nucleares, onde está implícito o perigo do transporte de grandes quantidades de materiais radiativos pela atmosfera rumo à Lua, poderia ser construído uma extensa linha de transmissão de eletricidade.
Através de supercondutores cerâmicos fabricados a partir de materiais presentes no próprio solo lunar, como oxigênio, cobre e bário, várias usinas de energia solar conectariam diferentes longitudes. Quando o Sol desaparecesse em uma determinada região, ela seria alimentada por uma usina remota, onde o Sol estivesse acima do horizonte.
Apesar de difícil, a colonização do nosso satélite, além de tornar possível o antigo sonho de habitar outros mundos, tem algumas vantagens. Devido à baixa gravidade, a velocidade necessária para colocar algo em órbita, a 100 km de altura de sua superfície, é de 6200 km/h. Isto gastaria apenas 5% da energia dispendida normalmente aqui na Terra. Essa economia já é uma boa razão para se preferir a Lua como trampolim para a exploração do cosmo.
Ao mesmo tempo, a Lua seria um excelente posto de abastecimento para as naves que cruzam de um lado para o outro o Sistema Solar. Importando-se 1 kg de hidrogênio terrestre, o mais comum elemento do Universo, mas raro na Lua, e usando 8 kg do oxigênio aderido a suas rochas, teríamos combustível suficiente para alimentar os melhores motores químicos.
Thaís Russomano é mestre em Medicina Aeroespacial formada nos EUA.

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