Dorico da Silva/Arquivo FolhaAcima do limiteRibeirão Lindóia: pesquisador recolheu amostras de 11 pontos da microbacia e a análise apontou 30 mil coliformes fecais por 100 ml de águaOs ribeirões Quati e Lindóia, localizados na Zona Norte de Londrina, apresentam pontos com índices de poluição acima dos limites indicados pela resolução nº 20 do Conselho Nacional de Meio Ambiente - Conama. Esta é uma das conclusões do professor Fábio César Alves da Cunha, do Curso de Geografia da Universidade Estadual de Londrina, na dissertação de mestrado ‘‘Crescimento Urbano e Poluição Hídrica na Zona Norte de Londrina’’ defendida em abril na Universidade Estadual Paulista - Unesp - de Presidente Prudente, como trabalho de pós-graduação em Geografia. A dissertação foi aprovada pela mesa examinadora com louvor.
Para realizar a pesquisa, Fábio Alves coletou amostras de água em 11 pontos da microbacia Quati-Lindóia para averiguar a presença de coliformes, o valor do PH - que indica a acidez ou alcalinidade da água -, a quantidade de oxigênio dissolvido, e a presença de materiais sólidos, além de nitrogênio, fosfato e coloração, entre outros aspectos.
‘‘As análises foram feitas pelo Instituto Ambiental do Paraná, e os resultados obtidos foram comparados com os parâmetros propostos pelo Conama para águas doces’’, comenta Fábio Alves. A resolução nº 20 do Conama classifica a qualidade de água doce em cinco classes, abrangendo desde uma classe especial, em que a água poderia ser destinada ao abastecimento doméstico com no máximo uma simples desinfecção, até classe 4, em que a água serviria apenas para navegação, utilização paisagística e ‘‘usos menos exigentes’’.
Josoé de Carvalho/Arquivo FolhaDetritosAlém da Companhia de Saneamento, também são citadas na pesquisa como fontes poluidoras, algumas indústrias e a própria população
Coliformes totais As coletas nos ribeirões foram feitas com o tempo seco e chuvoso, levando em consideração que com a chuva o índice de poluição aumenta em decorrência de enxurradas e transbordamentos de bocas-de-lobo, entre outros fatores.
Em tempo seco, as coletas do ribeirão Quati apresentaram, em dois pontos, a ausência quase completa de oxigênio dissolvido. No ponto chamado QC, localizado no córrego Bom Retiro - afluente do Quati - após uma estação de tratamento de esgotos, o índice de presença de oxigênio dissolvido na água chegou a 0 mg/l, enquanto a resolução nº 20 do Conama indica, para a classe 4 - água utilizada para navegação -, o mínimo de 2 mg/l.
Neste ponto, a presença de coliformes totais - que abrangem coliformes fecais e provenientes da degeneração de matéria orgânica, por exemplo - chega a 50 milhões a cada 100 ml com o tempo seco - em dia de chuva chega 500 milhões para cada 100 ml. Os parâmetros da Conama não registram quantidade específica de coliformes totais para as águas de nível 4, mas, em termos comparativos, águas de nível 3 - destinadas à irrigação e abastecimento após tratamento convencional - possuem um índice máximo de 20 mil coliformes totais para cada 100 ml.
‘‘É importante ressaltar que a presença de coliformes na água não é algo tão assustador - dependendo da quantidade -, nós possuímos coliformes em nossa flora intestinal para auxiliar o processo digestivo. O problema é que os coliformes se tornam um agente em potencial de transmissão de doenças’’, explica Fábio Alves.
Já no Lindóia, apenas um ponto de coleta apresentou nível de oxigênio dissolvido compatível com o da classe 4, nos outros locais do ribeirão a presença de oxigênio é superior. Já alguns pontos apresentaram a presença de 30 mil coliformes fecais por 100 ml, superior ao previsto pelo Conama para águas de nível 3.
Expansão da rede O pesquisador garante que a poluição dos ribeirões possuem três origens: ‘‘Os esgotos da Sanepar, algumas indústrias, e a população, que colabora ligando esgotos clandestinos e despejando detritos nos rios’’.
O trabalho apontou também, na região, focos transmissores de esquistossomose - oito focos na microbacia do Quati e dez na do Lindóia -, febre amarela e dengue - 22 na microbacia do Quati e 14 na do Lindóia -, e leishmaniose - três focos no Ribeirão Quati.
A solução para os problemas de poluição hídrica na microbacia Quati/Lindóia passariam automaticamente, segundo Fábio Alves, pela desativação da estação de tratamento de esgoto no córrego Bom Retiro, interligando o fluxo com o interceptor da estação Norte. Outra solução apontada pelo pesquisador seria a expansão da rede de esgotos para bairros carentes da Zona Norte após a conclusão da segunda etapa da estação de tratamento Norte.
Fábio Alves sugere ainda a construção de uma nova estação na microbacia do ribeirão Lindóia, para receber a demanda da Zona Norte, além da fiscalização ou implantação dos sistemas que amenizam o lançamento de dejetos provenientes de postos de combustíveis e indústrias. O pesquisador ressalta que o projeto poderia contar com a participação da população, da prefeitura, do IAP e da Universidade Estadual de Londrina, incentivando a população a auxiliar no monitoramento da qualidade da água dos rios da região, conscientizando os moradores dos problemas, levando projetos de educação ambiental a escolas e procurando reduzir os esgotos clandestinos.

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