SALK E SABIN NO COMBATE À PÓLIO
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quarta-feira, 30 de julho de 1997
Jossânia Navolar Especial para Folha Ciência 
Arquivo FolhaGotinhas famosasDepois de cinco anos sem nenhum caso, o Brasil recebeu, em 1994, Certificado de Erradicação da Poliomielite nas Américas, da Organização Mundial da Saúde (OMS). A luta agora é manter esse controlePode-se afirmar que as famosas gotinhas (vacina Sabin) contra a poliomielite, ou paralisia infantil como é mais conhecida pela população, estão com os dias contados, pelo menos, no que diz respeito a sua soberania. Segundo o médico imunologista e infectologista José Luiz da Silveira Baldy, de Londrina, essa é uma realidade próxima pelo fato de que, nos países em que a doença está sob controle, os poucos casos de poliomielite relatados estão associados diretamente ao uso da vacina.
Segundo pesquisa americana, durante o período de 1980 a 1994, de 303 milhões de doses de vacina Sabin aplicadas, o risco global foi de um caso para 2,4 milhões de doses distribuídas. Para crianças que reberam as primeiras doses, a taxa foi de um caso para 750 mil. E o percentual ano a ano se manteve inalterado tanto em 1995 quanto em 1996.
Salk Para entender esses dados, é preciso lembrar que o risco de um indivíduo desenvolver uma doença devido ao uso de vacina com vírus vivo atenuado é pequeno, mas existe. No caso da paralisia infantil, esses riscos são até insignificantes, se comparados ao número de crianças que ficam protegidas pelas mesmas gotinhas. No entanto, em países em que a doença está sob controle, o assunto toma dimensões diferentes.
Esse é exatamente o caso dos Estados Unidos. Como naquele país, desde 1979 não há registro de poliomielite paralítica atribuída ao poliovírus selvagem, os casos da doença associada ao uso da vacina preocupam de maneira drástica. Para controlar a questão, o Comitê Consultor sobre Práticas de Imunização dos E.U.A (Acip) recomendou, recentemente, um esquema de vacinação sequencial. Esse esquema começa com duas doses de vacina de vírus inativado (Salk), seguidas de duas doses da vacina de vírus vivo atenuado (Sabin). Os demais reforços da vacina também são feitos com a Sabin.
Erradicação Para o médico José Baldy, a tendência é que outros países sigam o mesmo caminho, inclusive o Brasil, onde o vírus selvagem da poliomielite foi isolado pela última vez em 1989, graças as campanhas de vacinação iniciadas em 1980. Depois de cinco anos sem nenhum caso, o Brasil recebeu, em 1994, Certificado de Erradicação da Poliomielite nas Américas, da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo Baldy, a luta agora é manter esse controle, porque erradicação é controle absoluto, algo que não existe quando o assunto é doença infecciosa. A única que se conhece que foi erradicada totalmente foi a varíola, porque foi controlada no mundo todo. Não é o caso da pólio. Ela ainda é endêmica em várias regiões do planeta. Portanto, ninguém está livre totalmente da paralisia até que todos estejam livres do vírus da pólio. A nova estratégia de vacinação, que por certo será adotada num futuro próximo, caso tudo continue transcorrendo bem, é um novo desafio que desponta.


