Rumo à manufatura digital
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quarta-feira, 30 de maio de 2018
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

A digitalização da indústria é um dos grandes objetivos do Instituto Senai de Tecnologia (IST), único no Paraná, cujo prédio foi inaugurado na última semana, anexo ao Senai Londrina. O empreendimento, de R$ 8 milhões investidos pelo Sistema Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), possui infraestrutura preparada para atender empresas que desejam melhorar sua produtividade através da tecnologia. "Produzir mais, consumindo menos recursos de forma a ter resultados econômicos muito concretos", resume Felipe Couto, gerente de Tecnologia do Sistema Fiep. "Hoje, há muitas indústrias cujos controles são feitos no papel", ele contextualiza. O papel do IST, aliado ao conceito de Indústria 4.0, é auxiliar a indústria, através de sua equipe técnica e de seus laboratórios, a obter equipamentos com sensores, software e consultoria para a digitalização de sua produção.
Um claro exemplo de como as empresas podem melhorar sua produtividade através da digitalização e da automação pode ser visto em uma miniatura de fábrica, disponível no IST. A miniatura mostra os processos de envase de bebidas e de montagem de cilindros pneumáticos. A linha de produção possui inteligência que reconhece a cor e a posição das peças. A depender da cor, a peça recebe um tipo específico de componente, que se encaixa corretamente através de sensores que detectam a posição das peças.
Após a montagem, os cilindros pneumáticos também são organizados por cor por outro braço mecânico. A única intervenção humana, nesta simulação miniaturizada, está no abastecimento da linha de montagem com peças.
Mas mesmo essa etapa da produção pode ser substituída por um robô, explica Ederson Amgarten, consultor Técnico de Negócios do Senai Londrina. Ao lado da fábrica miniaturizada está outro robô, de manipulação, que possui uma câmera com inteligência capaz de identificar peças ou produtos pela posição, cor ou tamanho, por exemplo. Caso uma peça ou produto esteja faltando no estoque, o robô pode informar o sistema para que seja providenciada uma reposição.
CONTROLE DO TEMPO
Todo esse processo pode iniciar apenas quando o sistema detectar um pedido de um cliente, ajudando as empresas a implantarem uma manufatura mais limpa (clean manufacturing), sem desperdícios, em sua indústria. Isso é o que buscava Rafael Gustavo Pereira, administrador da Artlondre, de Londrina, quando procurou o Senai. O IST está auxiliando Pereira a implantar um sistema de contagem de tempo de produção em sua indústria, que fabrica expositores promocionais para marcas nacionais. "A marcação era manual e baseada em estimativas. O sistema vai fornecer números mais concretos", comenta o administrador.

Tudo começa na linha de produção: quando o funcionário conclui uma etapa do processo, ele aperta um botão. A informação do tempo que o colaborador demorou para finalizar aquela etapa vai para uma central, que transmite os dados recebidos para a nuvem. A partir daí, o gestor da empresa pode ter acesso on-line a esses dados, acompanhar o nível produtividade da indústria e tomar decisões mais rapidamente. "O software vai me auxiliar na formação de preços e na identificação de custos do produto e me ajudar a tomar decisões mais rapidamente", conclui Pereira.
PROJETOS
Hoje, o IST já conta com mais de 20 projetos de implantação de tecnologia para indústrias de Londrina e do Estado. Um exemplo de projeto desenvolvido nos oito laboratórios do Instituto é o de conectividade de máquinas, para que o industrial possa ter informações sobre produtividade. O produto fará parte de um kit de conectividade oferecido a micro e pequenas que queiram atuar com manufatura digital através de um programa da Fiep e do Sebrae que chegou recentemente à sua segunda edição, o Voucher Tecnológico.
Outro exemplo é um projeto de eletrônica embarcada para prevenir avarias e perdas em colheitadeiras que precisam operar em terrenos com diferentes topografias para a empresa maringaense Favoretto. O IST também busca uma solução para a curitibana Ubivis, de um driver compatível com o CLP (Controlador Lógico Digital) de marcas diferentes para a obtenção de dados de máquinas industriais. O instituto desenvolve ainda o projeto de um sensor de "sujividade" para o reuso da água em postos de combustível, e de uma coleira de cachorro para monitoramento da saúde do animal para uma empresa da área veterinária, por exemplo.
As empresas podem procurar o Instituto Senai de Tecnologia diretamente para saber como podem ter projetos de digitalização desenvolvidos no local. Além da negociação direta com a entidade, existe a possibilidade de participação em editais de inovação como o Voucher Tecnológico, o SebraeTec e o Edital de Inovação para a Indústria do Senai.


