Revolução virtual no sistema monetário
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
É difícil imaginar que exista hoje circulando no mercado algum outro tipo de moeda além das oficiais, como o Real no Brasil e o Dólar nos Estados Unidos. Muito menos que, atualmente, exista uma moeda não oficial cuja cotação esteja girando em torno dos R$ 65.
Acontece que o mundo virtual pode ter sua moeda própria. É o caso do Bitcoin, que agora começa a ficar mais conhecido devido a alguns fatos polêmicos recentes. O primeiro é a comercialização de drogas com transações feitas com esta moeda por um site chamado SilkRoad. O segundo é a entrada do Mega, serviço de armazenamento na nuvem originado do MegaUpload, no sistema de Bitcoins. Este último era o site de compartilhamento de arquivos de Kim Dotcom, que foi preso acusado de pirataria.
Mas nenhum destes fatos, na opinião de um defensor do Bitcoin no Brasil, Leandro César, é capaz de tirar o mérito da moeda virtual. Como o próprio nome diz, o Bitcoin, de sigla BTC, é virtual e utilizado em transações on-line. E tem um importante diferencial: não possui uma entidade centralizadora que controla sua emissão. Ela circula por uma rede peer-to-peer (ponto-a-ponto) de usuários sem limites geográficos. Por isso, uma das vantagens destacadas é sua utilização internacional livre de taxas cambiais.
Segundo a comunidade Bitcoin, outro dos principais objetivos da moeda é fugir de taxas consideradas abusivas impostas aos comerciantes para o uso de cartão de crédito. A moeda também utiliza criptografia que, além de conferir segurança, oferece anonimato nas compras. Por isso é a preferida no comércio ilegal do SilkRoad, e é utilizada pelo Wikileaks para preservar a identidade de quem faz doações ao portal.
Como não existe no meio físico de palpável, apenas algumas moedas que servem mais como souvenir, a Casascius -, sua utilização se dá através de trocas entre endereços, ou wallets (carteiras). Cada usuário pode ter um ou mais endereços, identificados por um código alfanumérico, para realizar as transferências de moedas.
Quem emite estas moedas virtuais são chamados mineradores, pessoas que se voluntariam a gerenciar, pelo computador, o banco de dados da rede Bitcoin. Neste banco de dados estão registrados os caminhos de todas as transações realizadas com Bitcoins, que apesar de preservar a identidade dos usuários, são abertas. Este processo também evita que um usuário tente gastar a mesma moeda mais de uma vez. A cada dez minutos, a rede Bitcoin cria e distribui um lote de moedas a quem contribuiu com esta rede.
Mas Bitcoins também podem ser adquiridos por serviços de compra e venda, como o mantido por Leandro César no Brasil, o Mercado Bitcoin. A cotação da moeda se dá como para qualquer outra commodity, ele explica pela oferta e procura.



