Revista coloca verdade à prova
A Newsweek o usou em testes com meia-dúzia de amigos voluntários e não-voluntários, colegas e peritos em tecnologia - assim como com os executivos do Truster. Primeiramente testamos uma série de mensagens gravadas com antecedência, todas informativas. Algumas delas foram consideradas completamente verdadeiras pelo Truster - como deveriam ser. Outras, segundo o software, eram verdadeiros emaranhados de mentiras, exageros e falsidades, oscilando entre verdade e mentira quase ao acaso. Uma declaração simples como A reunião se realizará esta noite às 19 horas fez disparar o alarma do Truster. A repetição da mesma mensagem várias vezes deu resultados inteiramente diferentes. É preciso analisar isso. A verdade poderia ser de fato tão relativa?
Depois disso tornamo-nos mais espertos. Thomas Lipscomb, do Center for the Digital Future, de Nova York, tentou fazer o Truster cair em um truque, alternando mentiras deliberadas com verdades. Começamos com banalidades como nomes, endereços e profissões. Até esse ponto, só obtivemos o resultado verdade. Depois chegou a vez do clima. Frio e garoa, disse Lipscomb, olhando, pela sua janela, para o esplêndido dia de primavera. Verdade, respondeu o Truster. Qual é o nome de sua mulher? Judy, foi a resposta, em vez de Christine. Verdade novamente. Qual é a cor da velha égua cinza? Púrpura!. Falso, declarou Truster. E assim prosseguiu o teste, com leituras corretas durante cerca da metade do tempo. Poderíamos ter obtido resultados equivalentes jogando cara ou coroa.
Obviamente, nossos testes foram feitos mais ou menos ao acaso. Para uma performance ótima, explica Avi Azuolay, um dos programadores do Truster, é importante ter prática. Começar o teste com conversas casuais e isentas de tensões ajuda a calibrar o sistema, para que ele detecte melhor as anomalias que possam surgir mais adiante. Também ajuda quando o sujeito não sabe que está sendo submetido ao detector de mentiras. O teste não dá muito certo com as pessoas que se sentem muito à vontade enganando os outros. Entre esses incluem-se, segundo Azuolay: vendedores de carros usados, e, talvez, advogados. Ele acrescenta: Lembrem-se, o Truster é apenas um indicador de veracidade, e não um teste absoluto de sinceridade.
Isso assusta algumas pessoas. Nossas interações diárias uns com os outros agora estarão sujeitas às imperfeições do detector de mentiras? Isso é de arrepiar, disse Barry Steinhardt, diretor-executivo da Electronic Frontier Foundation. Lipscomb preocupa-se com o que acontecerá se as seguradoras, as instituições de empréstimos sob hipoteca de casas e companhias de cartões de crédito começarem a usar softwares de análise de voz para fazer a triagem de seus clientes. A legislação federal dos Estados Unidos proíbe o uso de polígrafos nos tribunais e restringe seu uso nos locais de trabalho por uma boa razão, disse.Eles não funcionam.
Talvez seja verdade. Mas uma coisa é certa: tecnologias como a do Truster têm poder de apelo inerente sobre os seres humanos, e só tenderão a se tornar melhores. Quem sabe? Talvez ainda chegue o dia em que nossos encontros não serão cegos. A prova da sinceridade estará - ou não estará - in the mail. E você saberá de quem sua mãe realmente gostava mais. Quanto ao teste com Clinton, o Truster descobriu que ele falou a verdade - embora sob altos níveis de tensão e com algum potencial para imprecisões, conforme expressão dos que aplicaram o teste. Infelizmente, quanto ao caso Monica, talvez ainda tenhamos de aguardar por outra chamada verdade: o relatório final do procurador Kenneth Starr. (M.M.)





