Cora Rónai
Agência O Globo,
do Rio
Não é todo dia que a gente vai à Praça Vermelha, em Moscou - nem tanto pela língua e pelos entraves que a admirável burocracia russa continua criando com raro engenho, quanto pela distância: aquilo fica longe mesmo.
De modo que, em todos esses anos de vida, lá estava eu, pela primeira vez, em setembro passado, vendo as torres de São Basílio ao vivo e a cores (e bota cor nisso!).
Pela primeira vez, também, eu estava tão longe de casa levando apenas uma câmera digital, sem uma xereta sequer de backup. Se na vida pessoal já não uso fotografia convencional há anos, profissionalmente não podia, até bem pouco tempo, me dar a esse luxo. É que a resolução das fotos produzidas pelas máquinas digitais viáveis (ao alcance do usuário) ainda deixava a desejar em termos de impressão.
Não mais. No começo deste ano, a nova leva de câmeras apresentadas na feira da PMA, em Las Vegas, tornava claro que já não seria por isso que as pessoas continuariam fiéis ao filme e papel convencionais. Minha companheira de viagem foi, pois, uma dessas novas maquininhas, a Kodak DC265 - que considero, hoje, a melhor das megapixels.
Chama-se megapixel a uma câmera que obtém resoluções superiores a um milhão de pixels (pixel picture element). Há dois anos, uma megapixel para consumo doméstico era uma miragem; hoje, é quase um fato da vida. Numa lista das 20 câmeras mais populares nos EUA, pegada ao acaso nos classificados da ‘‘Computer Shopper’’, só uma não chega a esta resolução: a Sony Mavica FD73 - que, aliás, nem deve ser comparada às outras, já que sua finalidade é bem específica. Facílima de usar, ela tem a melhor solução em baterias e produz excelentes resultados para as telas, mas não serve para quem quer ver suas fotos impressas.
Para quem precisa imprimir o que fotografou, resolução é fundamental - mas há, ainda, outras coisas para levar em consideração nas máquinas digitais, como fidelidade de cores, precisão de foco, facilidade de uso, versatilidade e vida das baterias. Como ‘‘conjunto de obra’’, a Kodak DC265 é a minha grande favorita. O resultado espetacular que oferece é tão bom quanto o das Olympus, sempre ótimas, mas a mídia usada pela Kodak, o CompactFlash, é melhor do que os SmartMedia da rival, e o software é muitíssimo superior ao das demais. Não é à toa que ela vem capturando o editor’s choice de nove entre dez revistas especializadas .
Outros pontos de que gosto: a facilidade de uso dos comandos, que se adaptam perfeitamente ao nível do usuário; e o som. Igual ao de uma SLR, ele é, sem dúvida, o clic mais realista do universo digital. Toda a sinalização sonora da DC265, aliás, é muito boa.
Mas tem mais: o modo burst, que permite capturar oito fotos em sequência (como numa SLR com motor); a possibilidade de se gravar um arquivo de som com cada foto; a qualidade das imagens que se podem obter, sem flash, em ambientes escuros; os 16Mb do cartão, que armazenam até 187 fotos; a conexão USB, prática e rápida. Até a duração das baterias, calcanhar de Aquiles de todas as digitais, é boa, sobretudo com as pilhas recarregáveis que vêm com a máquina. Para ser perfeita, a DC265 - que custa, aqui, R$ 2.900 - só precisa mesmo de um precinho mais camarada.

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