Arquivo FolhaAproveitamentoO projeto recupera a palha da cana como insumo energético e busca novos usos para o subprodutoO convênio assinado na seaman passada entre o Ministério da Ciência e Tecnologia e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) vai permitir a liberação de R$ 3,75 milhões para pesquisas na área energética. Os recursos serão empregados em um projeto de geração de energia elétrica a partir de resíduos de cana-de-açúcar a ser desenvolvido em parceria com a Copersucar. A Copersucar irá desembolsar R$ 3,64 milhões. O valor total do empreendimento é de R$ 7,39 milhões.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Tecnológico do Ministério da Ciência e Tecnologia, Caspar Erich Stemmer, o principal objetivo do projeto é desenvolver e avaliar a tecnologia necessária para a geração de energia elétrica com alta eficiência de conversão a partir do bagaço e da palha de cana-de-açúcar. A tecnologia a ser utilizada baseia-se em experiências realizadas na Suécia e no Havaí, onde, a partir do processo de gaseificação, chegou-se à transformação do gás em energia elétrica, utilizando resíduos de eucalipto.
Outro aspecto importante do projeto, afirma o secretário, é a recuperação da palha da cana como insumo energético e a descoberta de novos usos para este subproduto, como a produção de álcool por hidrólise e de insumos, como ração e fibras para celulose.
Impactos ambientais Os trabalhos serão desenvolvidos no prazo de três anos e compreendem avaliação da disponibilidade e qualidade da palha nos canaviais (composição, seleção e testes de variedades); avaliação e seleção das rotas agronômicas para colheita da cana verde e recuperação da palha; teste do processo de gaseificação de bagaço e palha e desenvolvimento do sistema de gaseificação para geração de energia em turbinas a gás em processo integrado com a usina de álcool e açúcar.
Além desses aspectos, o projeto inclui o desenvolvimento de colheitadeiras, limpeza da cana a seco, enfardamento da palha e a determinação dos seus custos de recuperação. Caspar Stemmer diz que também serão realizados estudos para identificar impactos ambientais terrestre-biológico.
O secretário de Desenvolvimento Tecnológico do MCT explica que a técnica usual, baseada na queima prévia do canavial - para eliminar a palha, as folhas e matar as cobras e insetos -, provoca enorme desperdício no aproveitamento da cana-de-açúcar e dos seus subprodutos. Com esse procedimento, segundo ele, cerca de 50% da energia são jogados fora.
Da mesma forma, a dificuldade de acesso a tecnologias mais modernas faz com que a produtividade das lavouras de cana no Norte e no Nordeste seja muito baixa. Enquanto em São Paulo a produção é de 80 toneladas por hectare, no Norte e Nordeste é de apenas 20 toneladas por hectare. Com o novo projeto, a Copersucar irá colocar à disposição dos produtores dessas duas regiões técnicas que lhes permitirão obter maior rendimento nos canaviais.

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