Remédio para câncer é tema de pesquisa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de julho de 1997
Elisa Marilia Curitiba 
O metotrexato, uma das drogas mais usadas no tratamento do câncer, diminui os níveis das enzimas que destroem os radicais livres (agentes que protegem as células) e poderiam afetar células sadias. O medicamento utilizado em larga escala desde a década de 50 foi alvo de uma pesquisa de mestrado da professora Regina Maria Vilela Babiack, do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal do Paraná.
Um organismo sem controle da produção de radicais livres pode desenvolver mutações do DNA que provocam o próprio câncer e, oxidar proteínas que perdem sua função. A consequência desse processo é a diminuição dos níveis de glutationa, responsável pela proteção das espécies reativas de oxigênio, ou seja, afeta a atividade das enzimas que destróem os radicais livres.
Com esses resultados o trabalho abre perspectivas para novas pesquisas que desenvolvam um outro medicamento que impeça o estresse oxidativo e minimize os danos dos radicais livres no organismo já debilitado pelo câncer. A continuidade da pesquisa deve trazer formas de reduzir ao mínimo os efeitos colaterais do medicamento, uma vez que detectamos o mecanismo de como isso acontece, disse a pesquisadora.
A maior preocupação da professora é com relação às celulas normais. É provável que da mesma forma que afeta as células tumorais, o metotrexato também iniba as enzimas catalizadoras da reação de oxi-redução das células sadias, argumenta Regina. Se isso ficar comprovado, o medicamento, ao mesmo tempo que combate o câncer poderia provocar falta total de defesa das células sadias.
Função normal Como exemplo, a orientadora da tese, professora Maria Benigna de Oliveira, cita as células intestinais. Da mesma forma que as células tumorais, as do intestino também se proliferam rapidamente por sofrerem escamação constante. Um dos efeitos colaterais do metatrexato seria uma diarréia constante.
Segundo ela a produção de radicais livres é uma função normal do organismo que também produz os anti-oxidantes para equilibrar o metabolismo. Todo organismo sadio, com boa alimentação produz anti-oxidantes. O problema é a tese de que o metotrexato poderia inibir as enzimas que destróem os radicais livres.
A pesquisa da professora Regina foi realizada através da análise de células com câncer de colo de útero cultivadas em laboratório. O trabalho começa a ser traduzida para o inglês e será publicada nas principais revistas especializadas, em todo o mundo. A tese foi desenvolvida no Laboratório de Oxidação Biológicas e de Cultivo Celular da UFPR e foi defendida no dia 26 de junho e recebeu conceito A dos componentes da banca.


