Até o final deste ano, a RNP começa a fazer o tão aguardado upgrade no seu backbone, que tem 400 instituições ligadas diretamente, sem contar os usuários das redes regionais como a Rede Rio, ANSP e Tchê. A primeira medida será o aumento da velocidade em regiões onde as conexões atingem apenas 64Kbps e 128 Kbps. Antes da virada do ano, o Nordeste passa a operar com 256Kbps, com exceção de Fortaleza e Recife, que já têm conexões de 2Mbps.
Salvador e João Pessoa também ganharão linhas mais velozes, de 1Mbps. No Norte, a velocidade será de 128Kbps. No Sul e Sudeste, onde as velocidades já atingiram 2Mbps, o problema é o tráfego entre as duas regiões. Para melhorá-lo, a solução poderá ser a instalação dos Pontos de Interconexão de Redes (PIRs), que já foram pauta de muitas reuniões do Comitê Gestor.
‘‘Há interesses na não instalação dos PIRs, porque assim cria-se um mercado de trânsito entre backbones’’, afirma José Luiz. Mas, de acordo com o coordenador da RNP, o Comitê Gestor está ciente dessa questão e quer implantar os PIRs o mais rápido possível para evitar o monopólio no trânsito entre backbones.
Hoje a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) já funciona por conta própria como um PIR. Ainda esta semana haverá uma reunião na Fapesp para discutir o funcionamento do ponto de conexão. No Rio, a RNP apostava no Teleporto, mas há problemas administrativos. José Luiz diz que o Alternex já se candidatou a prestar o serviço a preço de custo.
A terceira medida para salvar o tráfego Internet no País é a adoção de Cash de Web. Trata-se de uma máquina que busca e mantém temporariamente em sua memória a página de Web solicitada pelo internauta brasileiro. José Luiz explica que o Cash é diferente do Mirror, que busca antecipadamente várias páginas e as mantém em seu repositório. Nas máquinas Cash as páginas ficam por tempo determinado. Essa medida otimiza os canais do País e alivia o tráfego nos EUA.
‘‘Essa cultura vem sendo estimulada pelos EUA, porque cada vez que solicitamos um endereço em território americano, o tráfego deles aumenta. Aqui há um ganho no uso da linha internacional que pagamos’’, diz José Luiz. A RNP já está importando computadores IBM SP2, permitidos pela Lei de Informática, para usá-los como servidores de Cash. Duas dessas máquinas, cada uma com 15 processadores e discos de 300Gb, serão instaladas nas saídas internacionais. Mais nove serão instaladas em canais internos de 2Mbps e ainda mais 13 em canais de menor velocidade. Os testes começam em março e o Brasil será o pioneiro desta tecnologia na América Latina.

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