O computador, aos poucos, vai se tornando parte da vida das pessoas, no trabalho ou em casa. Tem se transformado também num importante instrumento de ensino, em qualquer fase da vida escolar.
Mas nas escolas públicas estaduais e municipais do Paraná, a informatização está na fase de instrumentalização e adequação dos espaços para receber os equipamentos. Só depois disso é que essa ferramenta deverá ser realidade no cotidiano da maioria dos alunos do Estado. Hoje, a informática serve como apoio pedagógico e não conta com a distinção de ser uma disciplina regular nas escolas.
De acordo com o Centro de Excelência em Tecnologia Educacional do Paraná (Cetepar), das 2160 escolas estaduais, 944 possuem computadores, ou seja, pouco mais de 43%. No Brasil, apenas 17% das ecolas públicas estaduais estão equipadas com PCs.
Segundo o diretor-executivo do Cetepar, Fernando Carlos Bortolozzi, no período entre 1998, 1999 e o primeiro semestre de 2000 foram adquiridos 10 mil computadores. ‘‘A prioridade foi colocar hardware nas escolas e acertar a estrutura para receber os equipamentos’’, informou. Entre 98 e 99, foram investidos R$ 3,5 milhões.
A capacitação foi intensificada a partir do segundo semestre do ano passado, garante Bortolozzi, quando 11 mil professores frequentaram de 20 a 120 horas de curso nos núcleos de tecnologia do Estado. Mas o próprio diretor-executivo do Cetepar admite que não é com cursos como este que o professor vai dominar a máquina. ‘‘Ele tem que trabalhar continuamente com o computador’’, analisa. O treinamento é baseado no pacote Office (Windows, Excell, World e Internet), da Microsoft, já que para muitos professores o computador também é uma novidade, tanto quanto para os alunos.
Para Bortolozzi, o Estado está ‘‘iniciando um processo’’ em se tratando de tecnologia. ‘‘Tem escolas que se destacam e outras que ainda não foram adaptadas’’, revela. O problema maior está nas pequenas cidades, onde as escolas, muitas vezes, não dispõem de espaço físico para abrigar os computadores. Outro complicador é o deslocamento dos professores para frequentarem os cursos, de uma forma que o aluno não fique sem aula.
A secretária estadual de Educação, Alcyone Saliba, afirma que ‘‘o ambiente (para a informatização chegar até o aluno) está sendo construído’’. A titular da pasta de Educação no Estado afirma que quase mil salas foram adaptadas para receberem ‘‘o recheio’’ dos equipamentos, em número compatível com o número de alunos.
Para tanto, conta com o apoio de linhas de financiamento como a do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), programa federal que vai bancar o Programa de Informatização das Escolas do Ensino Médio. Através do Fust, a Secretaria de Estado da Educação pretende viabilizar mais 200 laboratórios ainda este ano. A Secretaria conta ainda com os recursos do Proinfo, linha de crédito federal destinada ao ensino fundamental, que deve atender outras mil escolas.
Como forma de diminuir a defasagem entre professor e aluno quando o assunto é informática, a secretária adiantou que solicitou ao governo federal que, dentro dos recursos do Fust, ‘‘seja considerada a opção de empréstimo (de equipamento) por comodato aos professores’’.
Para o treinamento dos professores são usados, segundo Alcyone, os 13 Núcleos Tecnológicos de Ensino (NTE), as 7 Usinas do Conhecimento e mais a Universidade do Professor, em Faxinal do Céu.
O computador também tem auxiliado a diminuir a burocracia da Secretaria. Em 99, nenhum dos núcleos regionais de ensino estavam interligados. Atualmente, os 37 núcleos trabalham em rede e toda a comunicação interna na Secretaria é feita por via eletrônica.

mockup