Rede é ótima para pesquisar cosméticos
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segunda-feira, 01 de janeiro de 2001
Cora Rónai Agência OGlobo 
Surfar pelos principais sites de beleza é uma ótima experiência estética. Para começo de conversa, não há nenhuma vendedora insistente garantindo que, com algum novíssimo creme cientificamente testado (a modestos R$ 87,99 o potinho), a gente se livra, em 48 horas, de todos os anos de sol acumulados na cara.
Também não há aquela nuvem de perfumes conflitantes que parece pairar, perpetuamente, sobre os departamentos de cosméticos para não falar nas multidões de consumidores e consumidoras desesperados que, exatamente como a gente, deixaram todas as compras de final de ano para o último momento.
Este é o lado positivo. Do lado negativo, é indiscutível que o virtual ainda está longe de conseguir reproduzir as sensações de olhar, pegar e cheirar do real, tão importantes quando a gente está escolhendo um blush, digamos, ou um novo batom.
Para suprir esta lacuna, os sites das grandes marcas fazem o que podem, e o que a tecnologia lhes permite, para não frustrar ninguém. A página da Helena Rubinstein, por exemplo, recém-inaugurada, é um show de design e navegação, onde a gente pode descobrir coisas que sempre teve vontade de saber mas nunca teve a quem perguntar pelo menos com calma, e sem a consciência culpada por estar alugando a vendedora: o que, exatamente, faz cada uma daquelas coisinhas do Force C? Qual é a diferença entre a do pote e a dos vidrinhos? E por que existem tantos tipos diferentes de base?
Está tudo lá, em inglês ou francês, mas a visita vale a pena ainda que você não fale nenhuma dessas línguas e precise usar um dos tantos web-tradutores da rede. Há mais ainda para ver, porque a idéia básica de um site desses não é, naturalmente, vender on-line, mas sim criar familiaridade com a marca e fixar um determinado tipo de imagem. Assim, quanto mais tempo alguém fica por lá, melhor ele cumpriu a sua função.
Sob este aspecto, a decoração do site da Lancôme que tem a ingrata missão de vender sobretudo perfumes, e é, independentemente de estação, um deslumbramento é um sucesso absoluto: uma cena parisiense noturna em flash, que a gente navega como se estivesse andando numa rua iluminada vendo vitrines. Lindo!
E prático: na seleção de países, se não há Brasil há Portugal, o que facilita muito as coisas desde que a gente se acostume, é claro, com certas idiossincrasias da língua, como o uso de tez ou a bizarra grafia de maquilhagem.
Uma curiosidade em relação a este site, aliás, foi a forma encontrada pela Lancôme, há coisa de uns três meses, para divulgar seu novo perfume entre as internautas registradas na sua mala direta. Quem se inscrevia para o sorteio de produtos recebia em casa, pelo correio, uma senha pessoal indispensável para a participação. Ela vinha no verso de um postal perfumado. Achei esta ponte entre o virtual e o cheiro simpática e criativa.
Um dos meus xodós mais antigos nessa área é o site da Helene Curtis, dedicado aos cabelos, que conheci em versão beta numa lista de web design. A última novidade inventada por lá é o Hair-o-meter, uma janelinha que dá a previsão do tempo capilar para os próximos três dias de acordo com tipo de cabelo e localização geográfica!
Salvo raras exceções, como o transadíssimo site da Natura, a maioria das páginas brasileiras está longe deste grau de sofisticação. É como se o pessoal ainda não acreditasse no potencial da rede como ferramenta de marketing, embora já se dando conta de que é importante marcar presença on-line. Estes sites, a meu ver, estão se esquecendo de uma importantíssima dica de beleza: a primeira impressão é a que fica...


